OPEP+ mantém pausa na expansão da produção de petróleo perante excedente global

Com esta decisão e após captura de Maduro pelos EUA no sábado passado, o Brent descia 0,6% ao início da manhã, para cerca de 60,4 dólares (51,67 euros) por barril.
OPEP+ mantém pausa na expansão da produção de petróleo perante excedente global
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A OPEP+ decidiu adiar o aumento da oferta de petróleo previsto para o primeiro trimestre, numa reunião breve no domingo, 4 de janeiro, num contexto de excedente global e de incerteza sobre o impacto no fornecimento da captura de Nicolás Maduro pelos EUA.

Arábia Saudita e Rússia, entre outros membros influentes, optaram por manter a produção conjunta até março. A reunião, como nas últimas sessões realizadas por videoconferência, durou menos de dez minutos e o tema da Venezuela não terá sido abordado.

De acordo com a Bloomberg, os delegados contactados consideraram prematuro alterar a política de oferta em resposta ao episódio com Maduro, embora reconheçam que a evolução da produção venezuelana poderá vir a ser um tema relevante nos próximos meses. Analistas e operadores advertiram que a recuperação completa da infraestrutura petrolífera venezuelana pode demorar anos, pelo que o país — que atualmente contribui com menos de 1% do fornecimento global, apesar de deter as maiores reservas — não deverá ter um efeito imediato relevante no mercado.

Segundo a Kpler, que monitoriza dados de embarque, a produção venezuelana ronda os 800 mil barris por dia. Caso as sanções sejam levantadas, esse volume poderia subir em cerca de 150 mil barris por dia nos meses seguintes. Matt Smith, analista de petróleo para as Américas na Kpler, diz que para atingir níveis da ordem dos 2 milhões de barris diários, seriam necessárias reformas profundas e investimento substancial de empresas internacionais.

No ano passado, os futuros do petróleo registaram uma queda de 18% — a maior desde 2020 — à medida que aumentaram os fornecimentos por parte da OPEP+ e de outros grandes produtores, e as perspectivas apontam para um excedente significativo em 2026. Em abril, Riade e parceiros surpreenderam o mercado ao repor rapidamente produção que estava parada desde 2023, numa tentativa de recuperar quota de mercado perdida para produtores não convencionais dos EUA.

Antes do atual adiamento, a OPEP+ tinha acordado restaurar cerca de dois terços dos 3,85 milhões de barris por dia que ficaram suspensos desde 2023, ficando pendente a reativação de aproximadamente 1,2 milhões de b/d. Na prática, contudo, os volumes efetivamente adicionados ficaram aquém do anúncio, devido a limitações técnicas em alguns países e a ajustes compensatórios noutros.

Depois destes últimos acontecimentos, o Brent, o petróleo bruto de referência na Europa, descia ao início da manhã desta segunda-feira, 5, para cerca de 60,4 dólares, ou 51,67 euros, por barril, enquanto o West Texas Intermediate, referência nos EUA, descia 0,5% antes da abertura formal do mercado, para cerca de 57 dólares (48,76 euros) por barril.

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