Orçamentos salariais em Portugal mantêm‑se estáveis para 2026, com aumento médio previsto de 3,2%

A desaceleração da inflação — prevista em 2,0% para 2026, contra 2,4% em 2025 — e uma taxa de desemprego em queda para 6% criam um enquadramento macroeconómico mais previsível, diz um estudo da WTW.
Orçamentos salariais em Portugal mantêm‑se estáveis para 2026, com aumento médio previsto de 3,2%
Bruno Simões Castanheira / Global Imagens
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Os orçamentos salariais em Portugal passaram para uma fase de estabilidade em 2026, com as empresas a privilegiarem uma gestão prudente da remuneração, revela o último Salary Budget Planning Survey da WTW.

A média do aumento salarial real desceu ligeiramente de 3,5% em 2025 para 3,2% prevista para 2026.

A desaceleração da inflação — prevista em 2,0% para 2026, contra 2,4% em 2025 — e uma taxa de desemprego em queda para 6% criam um enquadramento macroeconómico mais previsível. O PIB deverá crescer 2,3% em 2026, segundo o inquérito.

Quase metade dos empregadores (43%) não alterou os orçamentos salariais definidos a meio do ano. Entre os que revêem as projeções, 24% apontam para uma redução dos orçamentos, enquanto apenas 7% aumentam as propostas iniciais.

As principais motivações para alterações são melhores perspetivas financeiras (29%), escassez de talento (18%), pressões inflacionistas (13%), mudanças na estratégia de compensação (13%) e preocupações com equidade salarial (11%).

Paul Richards, Managing Director – Rewards Data Intelligence na WTW, sublinha que "os empregadores entraram em 2026 com prioridades salariais mais claras e maior disciplina, utilizando os orçamentos não apenas como inputs financeiros, mas como verdadeiros instrumentos estratégicos".

No domínio da atração e retenção de talento, a percentagem de empresas que não enfrentam dificuldades aumentou para 20% em 2025, ainda que muitos empregadores continuem a reforçar políticas de flexibilidade, programas de compensação e iniciativas centradas na experiência do colaborador.

A adopção de inteligência artificial em áreas de Rewards está em crescimento, mas ainda limitada. As empresas planeiam investir mais em benchmarking salarial, arquitetura de funções, gestão de competências e análise de tendências de mercado, áreas onde a IA pode melhorar a tomada de decisão, salienta o relatório.

Sandra Bento, Associate Director da WTW, refere que "com os orçamentos salariais a registarem uma maior estabilidade, ganha destaque a necessidade de reforçar o investimento na experiência do colaborador...estes esforços ainda não se traduziram em reduções efetivas dos custos laborais. Neste contexto, torna‑se essencial que as empresas planeiem de forma estratégica a alocação dos seus recursos", conclui.

No seu conjunto, os dados apontam para um ano de continuidade e prudência na política salarial das empresas portuguesas, com orçamentos mais previsíveis e práticas consolidadas, apesar da incerteza geopolítica.

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