Poder de compra dos portugueses cresceu 25% em dez anos, revela estudo

Aumento impulsionado pelo rendimento disponível médio, que subiu de 9.856 para 14.951 euros (entre 2014 e 2024) em preços correntes, diz estudo divulgado pela Fundação "la Caixa", BPI e Nova SBE.
Poder de compra dos portugueses cresceu 25% em dez anos, revela estudo
FOTO: Miguel Pereira/Global Imagens
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A taxa de risco de pobreza em Portugal caiu para 15,4% em 2025, o que corresponde a 1,66 milhões de pessoas, essa é uma das conclusões do relatório "Portugal, Balanço Social 2025", produzido pelo Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center e divulgado esta quarta-feira, 20, pela Fundação "la Caixa", BPI e Nova SBE.

O limiar de pobreza situou‑se em 8.679 euros por ano, ou 723 euros por mês.

O estudo assinala que a redução da pobreza prossegue desde 2023, mas que os efeitos continuam desiguais. Os desempregados apresentam a taxa mais elevada, de 42,6 p.p., seguidos das famílias monoparentais com 35,1%. As mulheres mostram maior exposição à pobreza do que os homens, 16,3 por cento face a 14,5%.

Nas últimas décadas verificou‑se um aumento do rendimento disponível médio, que subiu de 9.856 euros em 2014 para 14.951 euros em 2024 em preços correntes. Esse ganho traduziu‑se num aumento do poder de compra médio de 25,2% nesse espaço temporal, com os estratos de rendimentos mais baixos a registarem ganhos relativos superiores aos dos estratos mais altos.

Apesar da melhoria, a desigualdade mantém‑se acentuada. Os 10% mais ricos detinham em 2025 quase oito vezes o rendimento disponível dos dez p.p. mais pobres. Em 2024, o quartil superior concentrava cerca de 46,5% do rendimento nacional enquanto o quartil inferior obtinha 10,5%.

A privação material e social diminuiu, mas continua a afetar uma parte significativa da população. Em 2025, 10,2 p.p. das pessoas viviam em situação de privação material e social e 4,3% em privação severa. Entre os pobres, a privação em cuidados de saúde não cobertos pelo SNS, como a medicina dentária, é muito mais elevada do que entre os não pobres.

As condições habitacionais dos agregados pobres mantêm‑se precárias. Em 2024, 33,4% dos agregados pobres suportavam custos com habitação superiores a 40 p.p. do rendimento, 30,9% não conseguiam aquecer a casa adequadamente e 17,3% viviam em alojamentos sobrelotados. Quase 40,4% residiam em casas com danos estruturais significativos.

No plano laboral, a taxa de desemprego situou‑se em 6% em 2025, valor próximo do de 2024. Ainda assim, a intensidade laboral baixa é muito mais frequente entre agregados pobres do que entre não pobres, o que contribui para a vulnerabilidade económica.

Há disparidades regionais relevantes. A taxa de pobreza foi mais elevada no Alentejo com 17,9 p.p. e nos Açores com 17,3%, enquanto a Grande Lisboa registou a menor prevalência com 12,2%. A privação material e social destaca‑se nas regiões autónomas, com os Açores a apresentar 17,4 p.p. e a Madeira 15,1%.

As crianças e os idosos continuam a ser os grupos mais expostos. Em 2024 havia 301 mil crianças e 541 mil pessoas com mais de 65 anos a viver em situação de pobreza. A taxa de risco de pobreza infantil atingiu 17,8% em 2024 e as crianças pobres exibiram níveis de privação muito superiores nas dimensões educacionais, habitacionais e alimentares.

O relatório sublinha o papel das transferências sociais na mitigação da pobreza. Sem as transferências monetárias, excluindo pensões, a taxa de risco de pobreza teria subido substancialmente, e sem quaisquer transferências a taxa teria aumentado de 16,6 p.p. para 40,3%. As pensões de velhice são a transferência mais difundida, com cerca de 26,2% da população a beneficiar, ainda que a maioria das beneficiárias mulheres receba pensões nas faixas mais baixas.

O documento inclui ainda capítulos sobre perceções e confiança nas instituições e sobre privação infantil, e apoia‑se em fontes como o ICOR 2024 e 2025, o Eurobarómetro de outono de 2024 e inquéritos do INE, IEFP e Segurança Social.

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Risco de pobreza recua em Portugal, mas ainda afeta mais de 1,6 milhões de pessoas
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