

A líder do Fundo Monetário Internacional deixou um alerta a França sobre a subida do custo do endividamento. "Ponham a casa em ordem”, atirou.
Há décadas que o Estado francês não pagava tanto para contrair financiamento e a situação é de tal forma preocupante que o próprio FMI já mostrou desconforto. Os empréstimos com maturidade a 30 anos, por exemplo, marcam, nesta terça-feira, as yields mais altas dos últimos 24 anos.
Na perspetiva da líder do FMI, Kristalina Georgieva, "o que vemos em França é uma complicação causada, por um lado, pelas consequências de empréstimos sucessivos (...) e, por outro, um cenário político dinâmico que cria ainda mais dificuldades para o Ministério das Finanças definir um caminho claro", disse, em entrevista à emissora norte-americana CNBC.
Tal como acontece noutros países, os juros da dívida pública de França estão em máximos de décadas. Significa isto que o Estado francês promete pagar mais do que em muito tempo pelos empréstimos que contrai, correndo riscos elevados. A segunda maior economia da UE tem a 'corda ao pescoço', na medida em que se depara com uma situação particularmente complexa, a vários níveis.
A dívida pública estava no nível mais alto de sempre em junho, na ordem de 119% do PIB (atingiu quase 3,6 biliões de euros). Como se não fosse suficiente, a instabilidade política é enorme e os motins das últimas semanas erguem ainda mais o grau de preocupação.
Neste contexto, a redução do défice é tema de pré-campanha para as presidenciais francesas, cuja primeira volta está marcada para dia 18 de abril. Existe um “reconhecimento muito claro na França de que o défice precisa de ser reduzido para menos de 5%”, diz Georgieva, depois dos 5,1% registados no ano passado.