"Ponham a casa em ordem”: FMI dá puxão de orelhas a França pelo risco do endividamento

A dívida recorde, o défice acima de 5% e os juros da dívida em máximos de décadas são motivos para preocupação, de acordo com Kristalina Georgieva, a seis meses das presidenciais.
Kristalina Georgieva, diretora-executiva do Fundo Monetário Internacional. Washington, 16 de abril de 2026.
Kristalina Georgieva, diretora-executiva do Fundo Monetário Internacional. Washington, 16 de abril de 2026.Foto: SHAWN THEW
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A líder do Fundo Monetário Internacional deixou um alerta a França sobre a subida do custo do endividamento. "Ponham a casa em ordem”, atirou.

Há décadas que o Estado francês não pagava tanto para contrair financiamento e a situação é de tal forma preocupante que o próprio FMI já mostrou desconforto. Os empréstimos com maturidade a 30 anos, por exemplo, marcam, nesta terça-feira, as yields mais altas dos últimos 24 anos.

Na perspetiva da líder do FMI, Kristalina Georgieva, "o que vemos em França é uma complicação causada, por um lado, pelas consequências de empréstimos sucessivos (...) e, por outro, um cenário político dinâmico que cria ainda mais dificuldades para o Ministério das Finanças definir um caminho claro", disse, em entrevista à emissora norte-americana CNBC.

Tal como acontece noutros países, os juros da dívida pública de França estão em máximos de décadas. Significa isto que o Estado francês promete pagar mais do que em muito tempo pelos empréstimos que contrai, correndo riscos elevados. A segunda maior economia da UE tem a 'corda ao pescoço', na medida em que se depara com uma situação particularmente complexa, a vários níveis.

A dívida pública estava no nível mais alto de sempre em junho, na ordem de 119% do PIB (atingiu quase 3,6 biliões de euros). Como se não fosse suficiente, a instabilidade política é enorme e os motins das últimas semanas erguem ainda mais o grau de preocupação.

Neste contexto, a redução do défice é tema de pré-campanha para as presidenciais francesas, cuja primeira volta está marcada para dia 18 de abril. Existe um “reconhecimento muito claro na França de que o défice precisa de ser reduzido para menos de 5%”, diz Georgieva, depois dos 5,1% registados no ano passado.

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