

Portugal e Espanha estão entre os destinos industriais mais atrativos da Europa devido aos custos competitivos da energia e a níveis de investimento produtivo superiores aos das principais economias europeias, concluiu um relatório do McKinsey Global Institute (MGI).
De acordo com o "Catalyzing competitiveness: Where investment happens and why", divulgado esta terça-feira, 30 de junho, a Europa enfrenta um défice estrutural de investimento de cerca de 800 mil milhões de euros por ano, o que compromete o crescimento e a competitividade de longo prazo.
O estudo sustenta que o investimento produtivo tornou-se o principal indicador da competitividade das economias e refere que as decisões de localização são cada vez mais determinadas por fatores como custos, produtividade e rapidez de execução, em detrimento de fatores históricos ou geográficos.
Neste contexto, a Península Ibérica destaca-se pela disponibilidade de energia renovável a custos mais baixos, oferecendo condições mais favoráveis para indústrias intensivas em eletricidade.
Segundo o MGI, Portugal constitui um dos casos mais expressivos de recuperação do investimento na Europa após a crise da dívida soberana da zona euro.
Em 2024, a taxa de investimento produtivo líquido atingiu 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em Espanha superou os 2% do PIB.
Em comparação, a Alemanha registou uma taxa de cerca de 0,2% do PIB no mesmo período, segundo o relatório.
Neste sentido, vários projetos industriais intensivos em energia estão já a ser direcionados para a Península Ibérica e para os países nórdicos, em detrimento dos tradicionais centros industriais europeus, refletindo uma alteração da geografia industrial do continente.
A nível global, o MGI aponta para uma crescente divergência entre as principais economias.
Enquanto a Europa apresenta um investimento insuficiente, os Estados Unidos procuram reforçar a capacidade industrial para reduzir dependências externas e a China continua a expandir a capacidade produtiva a um ritmo cerca de três vezes superior ao dos Estados Unidos e da Europa em conjunto.
O relatório indica igualmente que produzir na Europa ou nos Estados Unidos pode custar, em média, pelo menos mais 50% do que nas economias que atualmente captam mais investimento.
No caso da investigação e desenvolvimento, essa diferença poderá atingir cerca de 300%, devido a processos mais demorados e a um tempo mais longo de colocação de novos produtos no mercado.
Entre os fatores que penalizam a competitividade europeia, o MGI destacou os custos da energia e das matérias-primas, bem como diferenças nos apoios públicos ao investimento, que podem variar até oito vezes entre regiões.
Para reforçar a competitividade europeia, o instituto defende medidas como o aumento da produtividade através da automatização e da Inteligência Artificial (IA), a simplificação de processos administrativos, o acesso a energia limpa e competitiva, a aceleração do desenvolvimento de novos produtos, o reforço da inovação e a especialização em setores estratégicos, como os semicondutores, a biotecnologia e as infraestruturas para IA.
Segundo o relatório, ganhos de produtividade de cerca de 30%, aliados à redução dos custos de equipamentos, energia e materiais e a uma maior rapidez na execução de projetos, poderão reduzir entre 30% e 80% o diferencial de custos que atualmente separa a Europa das economias mais competitivas.