Portugal ficou aquém das metas europeias de reciclagem, apesar do reforço no investimento
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Portugal ficou aquém das metas europeias de reciclagem, apesar do reforço no investimento

"É preciso repensar o modelo", alerta a CEO da Ponto Verde. O financiamento do sistema avançou para 220 milhões de euros, mas sem resultados práticos, já que a recolha de embalagem subiu apenas 2%.
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Portugal quase duplicou o investimento no sistema de reciclagem em 2025. Ainda assim, o número de embalagens com aquele destino aumentou de forma residual e ficou aquém das metas europeias.

De acordo com uma comunicado da Sociedade Ponto Verde, enviado às redações, seguiram para reciclagem 486.990 toneladas de embalagens, em 2025. Trata-se de um aumento de 2% relativamente a 2024 (aumento de 10,3 mil toneladas), mas o acréscimo não chega para corresponder às exigências que chegam de Bruxelas, apesar da subida acentuada no financiamento.

Os serviços de recolha seletiva de resíduos de embalagens financiados ao SIGRE pela Sociedade Ponto Verde e por outras entidades gestoras receberam 220 milhões de euros no ano passado. Em causa está um aumento de 98 milhões no sistema, face a 2024, após a decisão do Governo de subir os valores de contrapartida (VC), que são aqueles que os municípios recebem pelo serviço de recolha e triagem de resíduos.

Neste contexto, a taxa de retoma subiu para 60,2% (dados preliminares), bastante abaixo dos 65% que ditam as metas europeias. Em causa está a falta de falta de eficácia do modelo atual, ou seja, "o problema não está necessariamente na falta de recursos, mas na forma como o sistema está desenhado", alerta-se no documento, juntamente com outros reparos.

Ponto Verde aponta o dedo a problemas estruturais

A organização aponta a "necessidade de otimizar o serviço de recolha seletiva multimaterial", até porque "tão importante como a atuação dos cidadãos é a existência de um serviço de recolha seletiva conveniente, eficiente e ajustado às realidades urbanas e demográficas do País", acrescenta-se.

A Sociedade Ponto Verde aponta ainda para a falta de avaliações realizadas internamente. "Não é possível gerir e melhorar aquilo que não se mede e não se analisa, nem exigir melhores resultados sem transparência, métricas claras e responsabilidade sobre o desempenho", explica-se no documento.

De acordo com a CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais, "o sistema continua a entregar resultados muito aquém do que é exigido a nível europeu. Isto demonstra que a reciclagem de embalagens não se resolve apenas com mais financiamento", assinala ainda, além de sublinhar a necessidade de promover alterações.

"É preciso repensar o modelo, exigir eficiência e qualidade no serviço de recolha e triagem."

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