Portugal é país-chave para aumentar interligações na União Europeia

Bruxelas lembra importância das interligações elétricas dos Pirenéus com a Península Ibérica e um corredor de hidrogénio de Portugal à Alemanha.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia,
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia,EPA/OLIVIER MATTHYS
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O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, descreve Portugal como “um país-chave” para aumentar as interconexões energéticas com o resto da União Europeia (UE), assegurando estar em contacto também com França, com vista a desbloquear iniciativas.

Na visita a Portugal no final desta semana, o responsável diz que “as interligações também farão parte das discussões" que irá ter.

"E, (…) sim, Portugal é certamente um país-chave nesse domínio e a Península Ibérica, em ligação com e através de França, está claramente no topo da nossa agenda”, disse Dan Jørgensen, em declarações à Lusa e outros meios europeus em Bruxelas.

Antes de uma visita ao país, que começa em Lisboa na sexta-feira, o comissário europeu da tutela apontou que este é “um dos temas” que irá “discutir com o Governo português”, estando ainda “a debater com o ministro francês e com o Governo francês”, numa altura em que a Península Ibérica é uma ilha energética com pouca conectividade à UE, nomeadamente por oposição francesa a mais interligações.

Em dezembro passado, a Comissão Europeia escolheu, como futuras ‘Autoestradas da energia’ que contarão com apoio da UE, interligações elétricas dos Pirenéus com a Península Ibérica e um corredor de hidrogénio de Portugal à Alemanha.

“A necessidade de ligar melhor a Europa […] é algo que também abordamos através das nossas oito ‘Autoestradas de energia’. Estamos, por isso, muito empenhados em avançar com essas oito autoestradas energéticas e, naturalmente, a ligação à Península Ibérica é uma delas”, adiantou Dan Jørgensen.

Os interconectores energéticos reforçam a segurança do sistema elétrico ao facilitarem a troca de eletricidade entre países, o que permite estabilizar as redes, integrar melhor fontes renováveis (como eólica e solar) e diminuir a dependência de combustíveis fósseis.

“No que toca à segurança, normalmente nós concentramo-nos nas armas, o que é, evidentemente, também importante, mas não há segurança sem segurança energética e isto significa que precisamos de acelerar os nossos esforços”, disse ainda o comissário europeu da tutela.

A Comissão Europeia partilha a opinião de Portugal sobre a necessidade de construir mais interconexões energéticas na UE, nomeadamente entre a Península Ibérica e o resto do bloco, estando a tentar dialogar com França.

O apagão na Península Ibérica de abril do ano passado mostrou a necessidade de aumentar a resiliência da rede energética da UE, numa altura em que o território ibérico tem uma conectividade abaixo dos 3% com o resto da União.

O Governo português tem vindo a defender um aumento da interligação energética de Portugal com o resto da UE para 15% até 2030, através da construção de mais interligações.

A UE estabeleceu precisamente um objetivo de interconexão de, pelo menos, 15% até 2030.

O reforço das interligações energéticas entre Portugal e Espanha e a UE tem vindo a ser discutido há vários anos, mas devido ao ceticismo de França isso nunca avançou totalmente, apesar de ser importante para aumentar a segurança energética, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, diminuir os custos e facilitar a transição para as energias renováveis.

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