

Portugal prepara‑se para lançar seis novos satélites esta segunda-feira, 30 de março, a partir da base de Vandenberg, Califórnia, no âmbito da missão Transporter‑16, num passo que promete fortalecer tanto a capacidade tecnológica nacional como o potencial económico do ecossistema espacial português.
O lançamento está agendado para o período entre as 11h20 e as 12h17 (hora portuguesa), com possibilidade de adiamento de 24 a 48 horas por motivos meteorológicos ou operacionais.
Os esforços envolvem atores públicos e privados, como a Força Aérea Portuguesa (FAP), o CEiiA e a N3O, em conjunto com parceiros internacionais e o operador nacional Geosat.
Os novos ativos juntam‑se à Constelação do Atlântico, hoje composta por três satélites em órbita, e destinam‑se a ampliar capacidades de observação da Terra, com aplicações que vão desde a resposta a catástrofes até a agricultura de precisão e o mapeamento de carbono.
Entre os seis satélites, destaca‑se um sistema da Força Aérea com capacidade radar para observação contínua, independente das condições meteorológicas e do dia/noite, reforçando vigilância persistente e consciência situacional — fatores cruciais para segurança nacional e proteção da Zona Económica Exclusiva.
Por outro lado, o satélite VHRLight NexGen, liderado pelo CEiiA e pela N3O, é o segundo de uma dupla de ópticos capazes de produzir imagens multiespetrais com resolução de 70 cm por pixel, adequadas a análises detalhadas do território.
No mesmo dia do lançamento será formalizado um acordo entre Satellogic, N3O e Geosat para cooperação em tecnologias de satélites, subsistemas e serviços downstream, com implicações diretas para o Atlantic Data Hub — plataforma que pretende valorizar dados espaciais e estimular oferta de serviços de valor acrescentado ao mercado nacional e internacional.
A operação da constelação será assegurada pela Geosat e, quando completa (12 unidades entre ópticos e radar), prevê‑se uma frequência de revisita de aproximadamente três horas sobre áreas de interesse, melhorando a disponibilidade de informação para decisores públicos e privados.
Os dados produzidos devem catalisar soluções comerciais em sectores como seguros, agricultura, ambiente, defesa e logística marítima, potenciando cadeias de valor e oportunidades de exportação de serviços.
Paralelamente, o CEiiA e a N3O desenvolvem, em parceria com a alemã OHB, mais dois satélites óticos VHR, enquanto a LusoSpace integrará quatro satélites da sua Constelação Lusíada, focados em monitorização e comunicações marítimas — projetos financiados no âmbito da Agenda New Space.
A Agenda inclui ainda a componente estratégica de Acesso ao Espaço, sob coordenação da FAP, que prevê o desenvolvimento de uma base espacial nos Açores, com vista a posicionar Portugal como hub atlântico para lançamentos e recuperação de ativos, reforçando autonomia europeia e atraindo investimento.
O momento marca um avanço significativo na internacionalização do setor espacial português e na criação de capacidades com impacto económico e estratégico.