Portugal tem 2700 casas à venda por mais de três milhões de euros

A habitação de luxo continua com forte procura internacional, diz seguradora especializada em património de elevado valor. A relação qualidade-preço é o principal atributo.
O Algarve continua a ser um destino de eleição para investimentos em habitação de luxo.
O Algarve continua a ser um destino de eleição para investimentos em habitação de luxo.Foto: Gerardo Santos
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O país tem cerca de 2700 casas à venda por um preço superior a três milhões de euros e 17 mil casas acima de um milhão de euros. É um volume de oferta “relativamente limitado face ao conjunto do mercado” e concentrado nas regiões de “Lisboa, Algarve e Porto, que representam cerca de 75% da oferta” de habitação com um custo acima de um milhão de euros, diz Eva Peribáñez, diretora da divisão de arte e clientes privados da Hiscox Ibéria.

A disponibilidade limitada deste produto reflete-se na valorização dos imóveis. Em 2025, o Índice de Preços da Habitação aumentou 17,6% em Portugal. No segmento de luxo (acima dos três milhões de euros), o preço médio subiu 13% em Cascais e em Sintra 14,9%. No Algarve, Lagos registou um aumento de 13,5% e Loulé de 11%. Na Madeira, a valorização atingiu 21,7%, contextualiza a responsável da seguradora especializada em património de elevado valor. Apesar deste contexto, a atratividade deste investimentos não esmoreceu, garante.

Segundo Eva Peribáñez, “o comprador é maioritariamente internacional e Portugal continua a atrair diferentes perfis e nacionalidades”. O país regista “uma procura mais diversificada” e “já não depende apenas de incentivos como os vistos ou de decisões de investimento de curto prazo”. As razões para a aquisição destes imóveis também são múltiplas: para viver; para segunda residência; ou para diversificar e preservar o património.

As nacionalidades mais ativas são os britânicos, norte-americanos, alemães e brasileiros. No Algarve, o Reino Unido continua a ter um peso significativo, representando 33,2% das transações internacionais acima de um milhão de euros, seguido de França, com 19,3%, Alemanha, com 8%, Países Baixos, com 5%, e Suécia, com 4,8%. Nesta região, o valor médio das moradias unifamiliares de luxo manteve-se acima dos 4,5 milhões de euros desde 2017, atingindo cerca de 5,13 milhões de euros em 2025, realça.

A responsável afirma também que se assiste a uma mudança geracional. “A par do comprador mais tradicional, associado à segunda residência e à preservação de património, surge uma geração mais jovem, ligada à tecnologia, às finanças e ao empreendedorismo internacional, que valoriza cada vez mais privacidade, sustentabilidade, design, eficiência energética e conectividade”, aponta.

Esta procura internacional deve-se muito ao preço da habitação de luxo no país face a outros destinos no mundo. Um estudo recente da Hiscox concluiu que o preço médio do mercado de luxo em Lisboa é cerca de 25% inferior ao de Paris ou Londres e 45% abaixo ao de Nova Iorque, lembra a responsável. Para Eva Peribáñez, “a principal vantagem de Portugal está na combinação de vários fatores: segurança, estabilidade, qualidade de vida, clima, conectividade internacional e uma relação qualidade-preço que continua a ser competitiva face a outros mercados prime europeus”.

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