Preço do gás em Portugal é o 4.º mais caro na Europa

Valor do KW/h fica acima do cobrado em Itália, França ou Áustria. Na luz, Portugal está alinhado com a média, mesmo que seja o país da UE com maior incorporação de energias renováveis.
Preço do gás em Portugal é o 4.º mais caro na Europa
FOTO: Reinaldo Rodrigues
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Os portugueses são dos europeus que pagam o gás mais caro, ocupando o quarto lugar na lista dos preços de energia na Europa, ajustados ao poder de compra. Já na energia elétrica, Portugal está alinhado com a média comunitária.

Em Lisboa o consumo de gás natural é cobrado a 13,8 cêntimos por KW/h, acima de cidades com poder de compra muito superior como Roma, onde se paga 13,6 cêntimos, Paris (12,8), Viena (12,7), Dublin (11,7) ou Praga (10,7), entre outras, indica o Índice de Preços da Energia para Famílias (HEPI na sigla em inglês). O valor médio entre os 27 Estados membros situa-se nos 10 cêntimos.

Segundo aquele índice, compilado pela Energie-Control Austria, pela MEKH e pela VaasaETT, a liderança absoluta neste ranking vai para Estocolmo, onde o custo unitário é de 36 cêntimos, enquanto o valor mais baixo (1,6 cêntimos) é praticado em Kiev. Na UE, o valor nominal cobrado na capital sueca é 13 vezes superior ao que é pedido em Budapeste (Hungria).

A análise considera os valores praticados a 2 de janeiro deste ano e conclui que os preços da eletricidade e do gás variam bastante na Europa, sendo mais elevados na Europa ocidental em termos nominais. Mas, uma vez ajustados por paridades de poder de compra, os rankings indicam maior peso para as famílias da Europa Central e de Leste.

Outra conclusão que se pode tirar do estudo comparativo é que os preços da energia para consumo doméstico, que dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia, no início de 2022, “ainda continuam acima dos níveis anteriores à crise, mesmo que tenham estabilizado cerca de um ano após o início da guerra”.

Os preços da eletricidade para consumidores domésticos variavam entre 8,8 cêntimos em Kiev (Ucrânia) e 38,5 em Berna (Suíça), com a média a situar-se nos 25,8. Em Portugal, em janeiro deste ano, o custo da energia elétrica era de 25,4, muito alinhado com os restantes estados, sendo que a nossa vizinha Espanha está nos 26 cêntimos.

Portugal lidera na energia renovável

Tendo em conta a elevada percentagem de energias renováveis no mix energético português seria expectável que os preços da energia elétrica fossem visivelmente inferiores à média europeia, o que não acontece. Em janeiro deste ano, as energias renováveis garantiram 80,7% da eletricidade produzida em Portugal continental, colocando o país em primeiro lugar na UE na incorporação de energias renováveis e em segundo lugar na Europa, cabendo a liderança à Noruega.

De acordo com o último boletim da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), entre 1 e 31 de janeiro foram gerados 4.420 Gigawatts-hora (GWh) de origem renovável, de um total de 5.479 GWh produzidos no país.

O resultado representa o nível mais elevado de incorporação renovável desde abril de 2025, data do apagão que deixou Portugal e Espanha sem eletricidade durante mais de 10 horas.

desempenho permitiu a Portugal subir da quarta posição para o segundo lugar entre os mercados europeus analisados, com 80,7% de incorporação renovável, apenas atrás da Noruega (96,3%) e à frente da Dinamarca (78,8%)

O que explica a diferença de preços?

Cada mercado tem condições específicas que ajudam a explicar a variação de preços entre países. Os analistas do HEPI consideram que as diferenças tanto se podem dever a “variações no mix energético – como a dependência do gás natural ou das renováveis – como aos processos de compra pelos fornecedores, estratégias de fixação de preços e mecanismos de subsidiação cruzada”. Por sua vez, os impostos e os custos de distribuição também pesam. Podem influenciar fortemente as classificações e os preços.

Quando ajustadas pelo padrão de poder de compra (ppc), as classificações dos preços da eletricidade alteram-se de forma significativa. O ppc, uma unidade monetária fictícia, elimina as diferenças gerais de níveis de preços e permite uma comparação mais justa. Em termos de ppc, os preços da eletricidade vão de 10,9 em Oslo (Noruega) a 49 em Bucareste (Roménia).

Embora muitas capitais da Europa de Leste tenham preços nominais de eletricidade mais baixos, o menor poder de compra torna a fatura elétrica um encargo mais pesado para as famílias. Em contrapartida, as cidades da Europa Ocidental e do Norte podem parecer caras em termos nominais, mas tornam-se relativamente mais acessíveis quando os preços são medidos em paridades de poder de compra.

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