Preços sobem mais em Portugal do que na zona euro, em junho

A inflação estabilizou na economia portuguesa, revelam as contas do Eurostat, ou abrandou ligeiramente, se nos guiarmos pelo INE. Certo é que o recuo dos preços é mais evidente na zona euro.
Preços sobem mais em Portugal do que na zona euro, em junho
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Os preços voltaram a subir de forma agressiva em Portugal e na zona euro, em junho, superando largamente o limite definido pelo BCE. Ainda assim, em Portugal os preços subiram mais em termos homólogos e mensais, tendo contrariado a tendência geral (mesmo excluindo as subidas mais acentuadas).

As estimativas do Eurostat divulgadas na terça-feira, 1 de julho, indicam que a inflação naquela área foi de 2,8%, face a junho do ano passado. Em causa está um abrandamento mensal de 0,4 pontos percentuais (p.p.), por comparação com o mês anterior (3,2% em maio). Significa isto que os preços ficaram 2,8% mais altos do que um ano antes, mas o aumento foi mais expressivo no mês anterior. Em Portugal, porém, as ilações a tirar são muito diferentes.

As contas do escritório de estatísticas do bloco europeu apontam estimam a inflação nos 3,1% em junho na economia portuguesa, em linha com o observado um mês antes.

Na véspera, porém, o Instituto Nacional de Estatística (INE) deu conta de estimativas que apontam para a inflação a atingir 3,2% em junho, o que reflete uma desaceleração de 0,1 p.p. (3,3% em maio, segundo dados do INE).

Significa isto que, em ambos os casos (Portugal e zona euro), foi largamente superado o limite de 2% definido pelo Banco Central Europeu (BCE) como máximo saudável. Porém, os sinais são totalmente diferentes. Ao passo que, no bloco, há uma desaceleração pronunciada no aumento dos preços, em Portugal a descida é mínima (diz o INE) ou até nula (aponta o Eurostat) e a inflação ficou até acima da que se observou nas economias do euro (3,2% ou 3,1% contra 2,8%, respetivamente).

O que está na base?

A elevada taxa de inflação homóloga continua a ter ligação direta à subida do preço dos combustíveis, que está espalhada por todo o mundo e a Europa não foge à regra, com Portugal a fazer parte de todo este cenário. A base está na subida dos preços do petróleo, com ligação à redução da oferta que resultou do bloqueio do estreito de Ormuz.

A realidade é que, com o tempo, o tráfego de petroleiros naquela área, voltou a aumentar e as negociações pelo barril de Brent (referência europeia para as negociações de petróleo bruto) já regressaram aos preços anteriores à guerra.

Ainda assim, falta as respetivas atualizações chegarem a muitas gasolineiras. Para que este cenário se altere em julho, está dependente, por um lado, daquilo que venha a acontecer na guerra e consequentes alterações nos preços do crude e, por outro, das decisões das próprias empresas.

Em junho, os preços dos produtos energéticos subiram 8,7% na zona euro (10,8% em maio). Portugal, por seu turno, viu um aumento mais acentuado, na ordem de 9,2% (13,1% um mês antes). Estes são, historicamente, particularmente voláteis, permitindo neste caso um choque energético agressivo que já dura há quatro meses.

Ao nível dos bens alimentares não transformados, as mesmas estimativas indicam acréscimos de 3,2% na zona euro (4,0% em maio) e 5,2% na economia nacional (5,7% em maio). Uma vez mais, é visível a desaceleração que se verifica em Portugal, mas que fica abaixo da média da zona euro.

Neste contexto, a inflação subjacente, que permite tirar conclusões sobre a inflação em preços tradicionalmente menos voláteis (já que exclui energia e alimentos não transformados) subiu 2,2% em junho na zona euro (2,3% em maio). Em Portugal, porém, acelerou até aos 2,5% (2,2% no mês precedente), o que contraria a tendência geral.

A ideia que fica é a de que os preços em Portugal até baixaram nas categorias mais voláteis (energia e alimentos não processados), mas não o suficiente para alcançar a média europeia, apesar de a economia nacional depender, em larga medida, das energias renováveis. Excluindo aquelas duas categorias, o distanciamento face às economias do euro é ainda mais notório, com os preços a acelerarem na economia portuguesa, em contraciclo com a Europa.

Variação mensal segue pelo mesmo caminho

Se a taxa homóloga indica uma situação mais agravada em Portugal do que na zona euro, a inflação mensal acompanha a tendência.

Isto porque, no que diz respeito à área da moeda única, o Eurostat aponta para uma descida de 0,1%, em função de recuos de 1,7% na energia e 0,9% nos alimentos não processados. A inflação subjacente avançou 0,2%, em junho.

Em Portugal, o mesmo indicador registou um acréscimo de 0,1%. Uma desaceleração face ao mês anterior (subida mensal de 0,2% em maio) a coincidir com uma subida mensal que contaria a tendência geral.

Com a inflação acima de 2%, é natural que o BCE avalie uma eventual subida de juros. Ainda assim, o pico causado pela guerra parece já ter passado (caso o cenário em torno de Ormuz não volte a agravar), pelo que a desaceleração daquele indicador é também um fator que será tido em consideração.

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