Presidente do Eurogrupo apoia impostos nacionais sobre lucros extraordinários das energéticas

Numa audição em Bruxelas, Kyriakos Pierrakakis apontou que esta se trata “de uma decisão soberana que pode ser tomada pelos próprios Estados-membros”.
Kyriakos Pierrakakis.
Kyriakos Pierrakakis.EPA / OLIVIER HOSLET
Publicado a

O presidente do Eurogrupo disse esta terça-feira, 5, apoiar impostos sobre os lucros extraordinários das empresas energéticas, mas só ao nível nacional, como quer fazer Portugal, e falou em diferentes “sensibilidades relacionadas com as cadeias de abastecimento” ao nível europeu.

“Tenho de refletir uma posição que represente todos. Nesse sentido, a decisão que foi tomada - a proposta apresentada pela Comissão, após a carta de alguns ministros das Finanças europeus sobre os lucros extraordinários das empresas de energia - é que isso é permitido, mas ao nível nacional”, afirmou o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis.

Numa audição na comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, o responsável apontou que esta se trata “de uma decisão soberana que pode ser tomada pelos próprios Estados-membros”.

“Os [impostos aos] lucros extraordinários são algo que já aplicámos em 2022, em alguns Estados-membros, e existe experiência nessa matéria pois foi implementado ao nível nacional. Pode ser autorizado ao nível europeu, mas é aplicado ao nível nacional. Esta tem sido a posição da Comissão neste momento e devo dizer que é uma posição com a qual concordo”, referiu.

E justificou: “Digo isto porque existem sensibilidades relacionadas com as cadeias de abastecimento e com a vulnerabilidade do fornecimento que também precisam de ser consideradas nesta equação”.

“Precisamos de ter uma visão global” dado que, “por vezes, dramatizamos demasiado o presente e subestimamos o futuro”, adiantou Kyriakos Pierrakakis, defendendo também incentivos ao sistema energético e aposta na diversificação.

“Por agora, manter estas decisões [estes impostos] no âmbito nacional, como sugeriu a Comissão, parece fazer todo o sentido”, reforçou.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, disse hoje em Bruxelas que Portugal vai avançar com taxas sobre os lucros extraordinários de empresas energéticas, à semelhança do que aconteceu em 2022 na anterior crise dos preços dos combustíveis.

No final de abril, a Comissão Europeia admitiu que os países da UE avancem com impostos nacionais sobre os lucros extraordinários das energéticas, mas disse ser difícil adotar esta medida ao nível europeu dada a necessária unanimidade.

“Os Estados-membros podem adotar medidas de tributação sobre lucros extraordinários para garantir a justiça social. A Comissão respeitará as decisões dos Estados-membros e prestará apoio, fornecendo boas práticas sobre medidas nacionais, bem como avaliando o seu impacto no mercado único”, referiu o executivo comunitário numa comunicação publicada na altura com medidas para fazer face à atual crise energética.

A posição surgiu após um pedido do ministro das Finanças português, Joaquim Miranda Sarmento, e dos seus homólogos da Alemanha, Espanha, Itália e Áustria para criação ao nível da UE de um imposto sobre os lucros extraordinários das energéticas, semelhante às medidas para conter a crise energética de 2022.

Bruxelas divulgou, no final de abril, um conjunto de medidas para fazer face aos elevados preços da energia, incluindo apoio direcionado a consumidores e empresas, possíveis reduções fiscais e ajustes de tarifas e utilização de instrumentos de mercado e reservas estratégicas.

A UE importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética.

Apesar de Bruxelas garantir não haver problemas no abastecimento de petróleo e de gás à UE, já se assiste à volatilidade dos preços, aumento dos custos para famílias e empresas, pressão inflacionista e perturbações na indústria e nos transportes, havendo maior sentido de urgência em diversificar fornecedores e acelerar a transição para fontes de energia mais seguras e renováveis.

Kyriakos Pierrakakis.
Miranda Sarmento diz que vai apresentar em breve proposta no Parlamento para taxar lucros extra de energéticas
Diário de Notícias
www.dn.pt