Produção mundial de calçado estagna em 2025, com Portugal como 18.º produtor

"Portugal manteve uma posição industrial relevante", com 74 milhões de pares produzidos em 2025, diz a APICCAPS.
A Europa “assume um papel cada vez mais secundário” na produção mundial, representando apenas 2,1% do total
A Europa “assume um papel cada vez mais secundário” na produção mundial, representando apenas 2,1% do total
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A produção mundial de calçado estabilizou em 2025, aumentando apenas 0,1% para 24.600 milhões de pares, com a Ásia a responder por 88,7% do total, a Europa a perder quota e Portugal como 18.º maior produtor.

De acordo com dados do World Footwear Yearbook 2026 divulgados esta quinta-feira, 3 de setembro, pela Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), esta evolução “confirma a hegemonia da Ásia” na produção mundial de calçado, mantendo-se a China na liderança, com 13.700 milhões de pares e uma quota de 55,6%, seguida da Índia, com 3.000 milhões, e do Vietname, com 1.700 milhões.

Já a Europa “assume um papel cada vez mais secundário” na produção mundial, representando apenas 2,1% do total, atrás da América do Sul, com 4,5%, e de África, com 3,3%.

Ainda assim, nota a associação, “o continente europeu conserva relevância nos segmentos de maior valor acrescentado e nas redes internacionais de distribuição”.

Neste contexto de forte concentração da produção na Ásia, a APICCAPS destaca que "Portugal manteve uma posição industrial relevante", com 74 milhões de pares produzidos em 2025, ocupando o 18.º lugar mundial.

Em 2025, o país exportou 69 milhões de pares, no valor de 1.949 milhões de dólares (cerca de 1.718 milhões de euros à taxa de câmbio no período de referência), e importou 68 milhões de pares, no valor de 981 milhões (cerca de 844 milhões de euros), registando assim um excedente comercial próximo de 968 milhões de dólares (cerca de 833 milhões de euros).

Mais de metade das exportações portuguesas em quantidade, 58%, correspondeu a calçado de couro, "confirmando o posicionamento nacional em segmentos de maior valor acrescentado", salienta.

A APICCAPS destaca ainda que a indústria portuguesa se distanciou da concorrente espanhola na vertente produtiva, ao fabricar mais 14 milhões de pares, com a Espanha a produzir 60 milhões de pares, a exportar 164 milhões e a importar 365 milhões, apresentando um défice comercial superior a 2.000 milhões de dólares.

Números que, enfatiza, "evidenciam o peso crescente das importações e reexportações espanholas, enquanto Portugal preserva uma base industrial mais forte e uma balança comercial positiva".

Para o presidente da associação, o desempenho português "demonstra que é possível manter uma indústria competitiva na Europa, mesmo perante uma concorrência global muito forte".

“Portugal continua a investir de forma consistente na indústria, inovação, tecnologia, qualificação e capacidade produtiva. Os 74 milhões de pares produzidos em 2025 e o excedente comercial próximo de 1.000 milhões de dólares demonstram que existe uma base industrial sólida e competitiva", afirma Luís Onofre, salientando que "esta capacidade não surgiu por acaso", mas "é resultado de décadas de investimento e de uma aposta permanente na modernização”.

Os dados do World Footwear Yearbook indicam ainda que, em 2025, as exportações mundiais recuaram 0,1% em quantidade, mas cresceram 1,6% em valor, atingindo 172.000 milhões de dólares (cerca de 147.000 milhões de euros).

O preço médio de exportação recuperou para 11,65 dólares por par, ainda abaixo do máximo de 11,96 dólares alcançado em 2023.

Para Luís Onofre, estes dados “confirmam uma realidade que exige uma resposta firme da Europa”, sendo que o facto de a produção mundial de calçado estar cada vez mais concentrada na Ásia "não pode significar uma concentração das oportunidades e das regras do comércio internacional".

“Não podemos aceitar que a concentração da produção na Ásia se traduza numa concentração do comércio mundial e numa perda de capacidade industrial europeia. A Europa tem de defender os seus interesses e garantir que o comércio livre é também comércio equilibrado, assente em condições de concorrência justas e recíprocas”, sustenta.

Ainda segundo o World Footwear Yearbook, também no comércio internacional a Ásia mantém uma posição dominante, assegurando 84,3% dos pares exportados.

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