

São 39 as empresas de calçado que, desde ontem, marcam presença na Micam, a maior feira internacional do setor, que se realiza duas vezes por ano em Milão, Itália. Na bagagem, levaram a ambição de aumentar vendas e ganhar mercados, depois de no ano passado esta indústria nacional ter registado um crescimento residual de 0,8% nas exportações. Em 2025, foram vendidos 68 milhões de pares de sapatos portugueses, no valor de 1718 milhões de euros. Chegaram a 170 países.
Foi a quebra nas vendas para os Estados Unidos da América que provocou a quase estagnação das exportações portuguesas de calçado. As compras do mercado norte-americano fixaram-se em 84 milhões de euros no ano passado, uma quebra de 12,3% face a 2024, revelou a Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS).
Os mercados europeus salvaram o ano. No global, as exportações cresceram 3,3%, para 1420 milhões de euros. Mas o comportamento dos principais destinos dos sapatos portugueses na Europa não foi linear. Segundo informações obtidas junto da APICCAPS, a Alemanha consolidou a sua posição de grande admirador do calçado português, sendo responsável por compras no valor de 416 milhões de euros em 2025, um crescimento de 8,3% face a 2024.
França foi o segundo principal mercado, mas as exportações portuguesas para este país aumentaram só três milhões de euros, para 343 milhões. Já Espanha reforçou a sua posição como destino do sapato português, verificando-se um aumento de 10,2% nas vendas para o país vizinho, que totalizaram 183 milhões de euros. Ficou na quarta posição no ranking dos cinco maiores mercados externos da indústria portuguesa de calçado,
Em sentido contrário, a Holanda (terceiro destino mais relevante) retraiu as compras e as exportações nacionais registaram uma quebra de 3% em 2025, para 191 milhões de euros. O setor também sentiu uma retração nas vendas para o Reino Unido, que totalizaram 103 milhões de euros, menos dez milhões de euros.
A indústria está agora a trabalhar para dar novo fôlego às exportações, apesar da instabilidade económica e comercial que tem marcado o panorama internacional. Deste o início do ano, contam-se onze iniciativas de promoção externa, que reuniram mais de 100 empresas. O foco destas ações esteve centrado em oito mercados, considerados estratégicos: Alemanha, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália e Reino Unido.