Queda histórica: 10,1 milhões de barris de petróleo retirados diariamente do mercado em março

A AIE adianta que as perdas acumuladas provocadas pelo conflito ultrapassaram os 360 milhões de barris em março e poderão crescer para cerca de 440 milhões em abril, caso as interrupções se mantenham
Queda histórica: 10,1 milhões de barris de petróleo retirados diariamente do mercado em março
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A produção mundial de petróleo recuou 10,1 milhões de barris por dia em março devido à guerra no Médio Oriente, a maior quebra registada até hoje, informou, esta terça-feira, 14, a Agência Internacional de Energia (AIE).

No relatório mensal sobre o mercado petrolífero, a AIE adianta que as perdas acumuladas provocadas pelo conflito ultrapassaram os 360 milhões de barris em março e poderão crescer para cerca de 440 milhões em abril, caso as interrupções se mantenham.

No início de abril, o quase bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão reduziu para 3,8 milhões de barris por dia o fluxo de crude, gás natural e produtos refinados através daquele corredor, quando em fevereiro — antes das hostilidades — passavam por ali mais de 20 milhões de barris por dia.

Embora países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Iraque tenham aberto rotas alternativas para escoar parte da produção, as exportações de petróleo sofreram perdas superiores a 13 milhões de barris por dia, parcialmente compensadas pelo recurso a reservas que, segundo a AIE, estão a diminuir.

A agência reviu em baixa as perspetivas de procura para 2026, estimando agora uma média anual de cerca de 104,3 milhões de barris por dia, o que representa uma redução de 730 mil barris diários face à previsão de março.

Entre o segundo e o quarto trimestre, a queda no consumo poderá atingir 1,5 milhões de barris por dia — a descida mais abrupta desde o início da pandemia de covid‑19 — e, se as perturbações persistirem, a procura poderá contrair até cinco milhões de barris por dia em termos homólogos nesse período.

Os autores do relatório alertam que manter as interrupções elevadas obrigará a consumir reservas a ritmos “insustentáveis” de cerca de seis milhões de barris por dia, o equivalente a dois mil milhões de barris ao longo do ano.

O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, advertiu que “abril deverá ser pior do que março” para o setor energético e qualificou a situação como “a crise energética mais grave da história”, sublinhando que o impacto se estende para além do petróleo e do gás natural, atingindo também produtos essenciais como fertilizantes, petroquímicos e hélio.

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