Saint Gobain testa robô pedreiro para colmatar falta de mão-de-obra na construção

Projeto em conjunto com Universidade de Aveiro já foi testado em moradias e pode ser escalado em breve. Empresa celebrou 360 anos e antecipou em cinco anos as suas metas de sustentabilidade.
Saint Gobain testa robô pedreiro para colmatar falta de mão-de-obra na construção
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É bem possível que a Saint Gobain seja uma das empresas mais antigas do mundo, pois nasceu há 360 anos, quando o rei francês Luís XIV encomendou vidros para o Palácio de Versailles, fundando a Real Manufacture des Glasses. Mas é no futuro sustentável e na tecnologia que a empresa de materiais de construção aposta todas as fichas. E uma delas é a robotização de algumas tarefas na área da construção, para fazer face ao elevado défice de mão-de-obra no setor.

A empresa está diretamente envolvida num projeto que consiste num robô capaz de levantar paredes, substituindo o trabalho de um pedreiro, disse Rui Oliveira, diretor-geral da Saint Gobain Solutions, em entrevista ao DV/DN. É uma iniciativa da Saint Gobain a nível mundial, mas que está a ter a participação do seu centro de Investigação & Desenvolvimento (I&D) e da Universidade de Aveiro, acrescentou.

Segundo Rui Oliveira, “já foram feitos pilotos em algumas moradias com recurso a esta nova tecnologia e os resultados são satisfatórios”. Por isso, a empresa estima que a experiência possa ser escalada dentro de um a dois anos, para outro tipo de edifícios.

A iniciativa é assumidamente uma forma de enfrentar e contornar o “gravíssimo problema de falta de mão-de-obra na construção” e que está longe de ser um exclusivo nacional, admite o gestor. O recurso à imigração é uma alternativa, mas, “por si só não garante a resolução do problema, pois existe uma carência de pessoal qualificado e é necessária formação”, reconhece Rui Oliveira.

As áreas mais críticas com falta de resposta incluem calafetagem, soldadura, instalação de sistemas de irrigação e construção de muros. Só para contextualizar, agentes do setor estimavam em outubro de 2025, uma carência de cerca de 80.000 profissionais, entre qualificados e não qualificados. Uma falha que está a ameaçar a execução de obras públicas e privadas, no prazo abrangido pelo PRR, numa altura em que é preciso dar um novo impulso à construção para habitação.

Nesta área, a Saint Gobain tem uma oferta formativa nos seus dois centros de formação, um em Aveiro _ onde se situa a sede _ e outro no Carregado. “Também damos formação online sobre vários tipos de trabalhos”, diz. A formação é dirigida às diferentes soluções com que a empresa trabalha, seja o vidro, argamassa, gesso, isolamento, placas, etc.



Sustentabilidade

O setor da construção é dos que tem maior pegada carbónica e ambiental, pelos materiais usados, a começar pelo cimento. Mas a reciclagem dos materiais de construção é outra das áreas em que o setor apresenta falhas sérias e que coloca Portugal como um dos piores ao nível da União Europeia, belo muito baixo nível de aproveitamento e circularidade dos materiais.

Embora cada vez mais empresas tenham preocupações de sustentabilidade e de usar materiais mais sustentáveis, como é o caso da Saint Gobain, o problema é que “não existe uma fileira montada para a segregação dos materiais usados em demolições e sua recuperação”, aponta o gestor. Isso faz com que grande parte do entulho vá para lixeiras. E embora exista legislação nacional e comunitária sobre o assunto, “não só a fiscalização não é eficaz, como também ainda não está firmada uma mentalidade adequada entre os agentes do setor, que precisam de uma mudança cultural”. Nesta ausência reside uma oportunidade de negócio, que também exige mão-de-obra, para “fazer essa segregação do material, em vez de ir tudo para um contentor de lixo indiferenciado” considera.

A Saint Gobain “está comprometida com a sustentabilidade, o uso de energia verde e conseguiu antecipar para 2025 a meta que tinha traçado para 2030, de reduzir em um terço as emissões de CO2”. “Neste momento o desafio é transformar o processo industrial e fazer uma reconversão dos fornos a gás para o hidrogénio, isto está a ser feito”. Nos materiais, a empresa desenvolve vidros, por exemplo, com maior eficiênia energética, igualmente resistentes ao calor e ao frio. Ao nível da frota automóvel, também tem diretrizes que obrigam à renovação sempre por veículos elétricos ou híbridos. E a grande maioria dos seus colaboradores estão envolvidos em ações de formação sobre sustentabilidade e alterações climáticas.

A Saint Gobain faturou 46,6 mil milhões de euros em vendas em 2024, estando presente em 80 países e contando com 161 mil trabalhadores, 600 dos quais em Portugal. Em território nacional conta com 11 empresas, sete fábricas e ainda um centro de I&D em Aveiro.

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