Salários de janeiro podem subir até 22 euros com novas tabelas de IRS

Rendimentos ficam isentos até 920 euros. Há ganhos no rendimento líquido em vários escalões e sujeitos, mas acerto final pode implicar menor reembolso ou pagamento, em função dos diferentes perfis.
Salários de janeiro podem subir até 22 euros com novas tabelas de IRS
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As novas tabelas de retenção na fonte do IRS, publicadas esta semana, vão refletir-se já nos salários de janeiro e permitir ganhos no rendimento líquido que podem chegar até aos 22 euros mensais para alguns sujeitos. Isto acontece na sequência da atualização dos escalões do Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS) em 3,51% no Orçamento do Estado para 2026 e espelha também a elevação do valor fixado para o salário mínimo nacional, que sobe dos 870 euros para os 920 euros. Os salários e pensões até 920 euros passam assim a ficar isentos de tributação fiscal, com a isenção a abarcar mais 50 euros de rendimento.

Mas, atenção, o que recebe a mais no final do mês pode ter que devolver no momento da liquidação do imposto, avisa o fiscalista Carlos Lobo, em declarações ao DN. “É a velha teoria do cobertor: se puxamos a manta para cima, destapa os pés e se quisermos ter os pés tapados fica curta em cima”, exemplifica o consultor da EY (Ernst &Young) para explicar a opção que tem sido seguida pelo Governo de Luís Montenegro de deixar mais dinheiro disponível ao fim do mês, que implica, como reverso da medalha menos reembolso ou mesmo algo a pagar ao fim do ano fiscal.

“Mais uma vez, as tabelas de retenção na fonte são usadas como instrumento político, optando-se em função dos momentos, ora por aligeirar os descontos mensais, ora por libertar mais dinheiro ao fim do ano”. Num modelo perfeito, nem seria preciso publicar tabelas, aplicavam-se as taxas do imposto em função dos escalões. “O ideal era que o resultado fosse neutro, sem nada a pagar ou a receber”. E porque não é assim? O fiscalista admite que isso seria difícil de concretizar, porque “não se conseguem controlar todas as váriáveis dos diferentes perfis contributivos: se é casado, solteiro, se tem filhos, outros dependentes a cargo,se tem dedução de despesas de saúde, educação, IVA, etc”.

Em todo o caso, parece haver alguns sinais de que este ano a retenção poderá ser maior do que a que foi feita em 2025. É comum os governos usarem estas tabelas também um pouco em função dos ciclos eleitorais. “Não é só em Portugal que isto acontece, ninguém resiste a usar as tabelas como instrumento político”, observa Carlos Lobo, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, entre 2008 e 2009, no governo de José Sócrates.


Exemplos de contribuintes

De acordo com as simulações feitas pela EY para vários perfis contributivos, um solteiro sem filhos que auferisse 920 euros em 2025 descontava 21 euros mensais, mas este ano ficará isento, o que representará um aumento de 21 euros no seu rendimento líquido mensal.

No caso de um rendimento um pouco superior de 1500 euros de um sujeito sem filhos, ele reteve 181 euros em sede de IRS nos últimos meses de 2025. Com as alterações agora publicadas, o seu desconto mensal baixa para 168 euros. Também neste caso se regista um ganho de 13 euros mensais.

Ainda no segmento dos solteiros, mas desta vez com um filho, a simulação relativa a um rendimento bruto de 2500 euros permite concluir que a retenção na fonte de IRS era de 457 euros por mês e desce para 437 euros, gerando uma poupança de 20 euros.

Já se esse mesmo solteiro com um filho tiver um salário bruto de cinco mil euros, o ganho será de 22 euros por mês ao longo deste ano. Isto porque em vez de ter uma retenção mensal de 1.440 euros passará a pagar 1.418 euros.

Quanto aos contribuintes casados também há ganhos com esta nova tabela de retenção, tanto com salários médios como altos. No caso de um salário de 3 mil euros mensais brutos, descontará menos 21 euros, pois o valor arrecadado pelo Fisco baixa de 662 para 641 euros. E se o contribuinte casado tiver dois filhos e um salário bruto de dez mil euros também beneficia de um aumento de 22 euros no seu rendimento líquido mensal. Neste caso, a retenção na fonte de IRS passa de 3.650 euros para 3.628 euros

A situação dos pensionistas foi igualmente analisada pela EY e apurou que um reformado solteiro (sem dependentes) com uma pensão de 920 euros continuará isento de retenção na fonte de IRS, enquanto quem ganha 1.500 euros passará a reter menos quatro euros mensais.

Já um reformado com três mil euros de rendimento mensal verá a sua pensão líquida subir 14 euros, enquanto quem ganha cinco ou dez mil euros contará com um acréscimo líquido de 15 euros.

Estas simulações refletem apenas o imposto de IRS, não equivalendo ao rendimento total líquido, uma vez que, para além do IRS, os trabalhadores são ainda obrigados a descontar 11% do salário para a Segurança Social.

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