Sell America. Duas das cinco maiores economias do mundo estão a abandonar a dívida americana

As tensões comerciais e políticas levam a China a recuar para mínimos de 18 anos. A Índia cortou para o nível mais baixo em cinco anos. O dólar pode sofrer e o défice americano ameaça escalar.
Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos
Donald Trump, presidente eleito dos Estados UnidosEPA/WILL OLIVER
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A segunda e quinta maior economias do mundo estão a vender dívida dos EUA, o que pode obrigar aquele país a aumentar os juros que paga, pressionando o défice.

A tendência está a ser chamada, à escala internacional, como "Sell America" (Vender América, em português). Em causa está o desinvestimento massivo nos títulos do tesouro norte-americano. China e Índia são os players com maior impacto.

A tomada de posição destas economias surge na sequência das polémicas decisões da administração liderada por Donald Trump, nomeadamente a respeito de políticas comerciais e geopolíticas. Os dados de novembro mostram um recuo dos governos chinês e indiano no investimento em dívida dos EUA.

Recorde-se que as reservas de títulos do Tesouro dos EUA atingiram um máximo histórico em novembro, de acordo com os dados do Departamento do Tesouro, divulgados na quinta-feira. Em termos homólogos, a quota de entidades estrangeiras detentoras aumentou 7,2%, também em novembro. Ainda assim, China e Índia fecharam, parcialmente, a torneira.

A China reduziu os títulos do Tesouro dos EUA para um total de 682,6 mil milhões de dólares, o que perfaz o valor mais baixo desde setembro de 2008. É o terceiro maior detentor, mas a dívida americana em sua posse caiu 10% desde o início de 2025.

Ao mesmo tempo, a Índia recuou para o nível mais baixo em cinco anos, até aos 174 mil milhões de dólares, o que significa um tombo de 26% face ao máximo alcançado em 2023.

Desdolarização e pressão nos mercados

A venda avolumada de títulos de dívida dos EUA deverá ter efeitos agressivos, a uma escala que ainda não é exatamente possível medir.

Em causa poderá estar a depreciação do dólar norte-americano. Em simultâneo, poderá acrescer pressão sobre o défice da maior economia do mundo e os mercados financeiros. Em caso de uma grande magnitude dos impactos, poderia ameaçar a liderança dos EUA no setor financeiro.

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