

O setor da saúde e apoio social empregava 543,4 mil pessoas no quarto trimestre do ano passado, o que representava 10,1% do emprego total em Portugal, avança esta terça-feira, 7 de abril, uma análise da Randstad no âmbito do Dia Mundial da Saúde. Desde 2019, o setor criou mais de 70 mil postos de trabalho.
O estudo da Randstat, com base nos dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, Eurostat e Instituto de Emprego e Formação Profissional, sublinha que se assistiu a uma "trajetória de crescimento sustentado" deste setor e, em consequência, ao reforço do seu peso na economia nacional.
Segundo o relatório, o emprego na área da saúde e apoio social verificou "uma recuperação expressiva ao longo do ano passado, com um crescimento anual de 7,3%". No último trimestre, "a variação homóloga atingiu 10,7%".
Em dezembro de 2025, a remuneração média mensal atingiu 2033 euros brutos, um valor 8,3% superior à média nacional, diz o estudo. Na última década, os salários na saúde registaram um aumento de cerca de 70%. Este crescimento reflete "não só a valorização das funções técnicas e clínicas, mas também a pressão crescente para atrair e reter profissionais num contexto de escassez de talento", considera o relatório.
A atividade da saúde humana mantém-se como o principal motor do emprego, concentrando 65,3% do total de trabalhadores, nomeadamente em hospitais, clínicas e consultórios. O apoio social com alojamento representa 23,1%, com especial relevância para estruturas de apoio a idosos e pessoas com deficiência, enquanto o apoio social sem alojamento representa 11,6% do emprego do setor.
O estudo realça que 81% dos profissionais na saúde são mulheres e 42,7% do total de trabalhadores desempenham funções qualificadas, como médicos, enfermeiros e outros técnicos. Os trabalhadores de cuidados pessoais e funções de apoio representam mais de um quarto do emprego total.
O setor continua a ser composto na sua maioria por trabalhadores por conta de outrem, que representam cerca de 87% do total. Dentro deste universo, os privados são responsáveis por 63,4% do emprego, enquanto o setor público representa 36,6%. O número de trabalhadores independentes mantém uma tendência de crescimento, tendo atingido cerca de 38,3 mil pessoas.
Neste contexto, os níveis de desemprego mantêm-se reduzidos. Em fevereiro deste ano, estavam registados 18.470 desempregados no setor da saúde, o equivalente a 6,1% do desemprego total em Portugal. Estavam concentrados em funções menos qualificadas, como atividades de cuidados pessoais.
Segundo a Randstat, em 2023, existiam 118.558 empresas na área da saúde, um aumento de 2,2% face ao ano anterior e de mais de 45% na última década.