Taiwan espera consolidar parceria estratégica com os EUA após acordo comercial

Entendimento entre as partes inclui investimentos até 250 mil milhões de dólares (215 mil milhões de euros) por parte dos principais fabricantes de semicondutores da ilha em território norte-americano
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Semicondutores D.R.
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O Governo de Taiwan considerou esta sexta-feira, 16, que o acordo comercial alcançado com os EUA, que reduz as tarifas sobre produtos taiwaneses de 20% para 15%, reforça a "parceria estratégica" em alta tecnologia entre Taipé e Washington.

Após meses de negociações, o Departamento de Comércio dos EUA confirmou na quinta-feira que o entendimento inclui ainda investimentos até 250 mil milhões de dólares (215 mil milhões de euros) por parte dos principais fabricantes de semicondutores da ilha em território norte-americano.

Segundo o acordo, serão criados parques industriais nos Estados Unidos para reforçar a infraestrutura tecnológica e posicionar o país como "centro global" de tecnologias de nova geração, indústria transformadora avançada e inovação.

Num comunicado divulgado hoje, o Governo de Taiwan destacou que o novo imposto de 15% sobre produtos da ilha iguala as condições tarifárias aplicadas ao Japão, Coreia do Sul e União Europeia, permitindo "condições de concorrência equitativas" para as indústrias taiwanesas.

Taiwan tornou-se ainda o “primeiro país do mundo” a garantir o “regime tarifário mais favorável” para semicondutores e produtos derivados destinados a empresas taiwanesas a investir nos EUA, numa altura em que paira o receio da aplicação de tarifas adicionais.

Na quarta-feira, o Presidente Donald Trump aprovou uma tarifa de 25% sobre uma lista limitada de semicondutores estrangeiros e advertiu que poderá alargar a medida a outros ‘chips’ e produtos que os incorporem.

Segundo o Governo, Taiwan obteve um regime de isenção tarifária dentro de um limite definido de investimento no setor dos semicondutores, com aplicação da taxa mais favorável fora desse contingente, cuja definição será anunciada posteriormente pelas autoridades norte-americanas.

Em relação ao pacote financeiro, o governo de Taipé confirmou dois compromissos distintos: um investimento direto de até 250 mil milhões de dólares (215 mil milhões de euros) por empresas taiwanesas nos EUA, e outro mecanismo de apoio a linhas de crédito no mesmo montante, mediante garantias fornecidas pelo Executivo, sem aportes diretos de fundos públicos.

O acordo prevê ainda a promoção de “investimentos mútuos” em setores de alta tecnologia e o estabelecimento de uma “parceria estratégica na cadeia global da inteligência artificial”.

"A expansão para os Estados Unidos, combinando a capacidade da indústria transformadora avançada de Taiwan com a inovação, talento e mercado norte-americano, vai consolidar a parceria estratégica em alta tecnologia e garantir a liderança global de ambos os países em setores avançados", sublinhou o Governo de Taiwan.

Desde o regresso de Trump à Casa Branca, a administração tem reiterado a necessidade de “repatriar” a produção de semicondutores, setor que durante anos esteve concentrado em fabricantes estrangeiros e cadeias de abastecimento vulneráveis.

No entanto, analistas alertam que replicar a capacidade industrial de Taiwan – território que a China reclama como uma província sua – será um desafio, dada a sua experiência de décadas, mão-de-obra especializada e um ecossistema completo de fornecedores e logística altamente eficiente.

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