

A Europa está pressionada a manter relações comerciais positivas com a China, de forma a continuar a importar terras raras, que são essenciais a várias indústrias.
A guerra comercial recente não ajuda, mas certo é que a vulnerabilidade europeia fica bem a nú quando analisados os dados da Agência Internacional de Energia (AIE). Em 2024, coube à China 59% da exploração de terras raras em todo o mundo, assim como 91% da refinação e 94% da manufatura.
O setor é essencial às indústria de defesa, carros elétricos, centros de dados, moinhos de vento e motores industriais. Ora, o domínio numa vertente tão decisiva da economia global deixa as restantes economias particularmente vulneráveis à segunda maior do mundo.
As medidas aplicadas pelo governo chinês em abril e outubro resultaram num travão às exportação daqueles 17 materiais. Este deixou líderes de todo o globo em alerta, mas a China viria a prometer uma trégua de um ano, neste âmbito. Ainda assim, o risco mantém-se e a UE está a tomar medidas.
Europa procura soluções
A Europa vai em busca de alternativas à importação e uso daqueles minerais. Porém, enquanto não as encontrar, vai continuar a depender da China.
Alemanha e Países Baixos enviaram à China delegações para conversas com as autoridades daquele país. O tema central é não apenas o corte nas exportações de terras raras, como de chips semicondutores.
No passado mês de outubro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou o plano "RESourceEU", que visa reduzir as importações "a curto, médio e longo prazo". Com este propósito, está planeada a reutilização de matérias primas tais como as que existem nas baterias e o aumento das importações, tendo em vista a formação de stocks.
Em simultâneo, prepara-se “a produção e o processamento de matérias-primas essenciais na Europa”. Na calha estão ainda parcerias no mesmo âmbito com países externos à UE, como Ucrânia, Austrália, Canadá, Cazaquistão, Uzbequistão, Chile e Gronelândia, adiantou a responsável.