

A Transavia foi obrigada a cancelar 50 voos que se iriam realizar em maio e junho devido à crise de combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente, disse esta quarta-feira, 22 de abril, Julien Mallard, diretor geral adjunto para a área comercial da transportadora.
Em conferência de imprensa, o responsável revelou que o preço dos voos da companhia low cost subiu cinco euros desde meados de março para responder ao aumento dos custos provocado pelo conflito.
Como afirmou, esta não é uma decisão fácil, mas "temos de enfrentar a realidade do aumento do preço dos combustíveis”. O responsável sublinhou ainda que “estas questões fazem parte da gestão quotidiana da companhia”.
Julien Mallard frisou que este é um problema que está a afetar todas as companhias aéreas. Na Transavia, "estamos a implementar novos processos para que, nos próximo meses, o impacto do combustível não nos obrigue a reduzir capacidade”.
A Transavia está ainda assim a beneficiar das sinergias de pertencer ao grupo AirFrance–KLM, disse.
À crise de escassez de combustível junta-se uma maior procura por viagens na Europa. Segundo Julien Mallard, verifica-se um maior interesse por voos no continente europeu devido ao conflito que opõe os EUA e Israel ao Irão.
"Está tudo a acontecer ao mesmo tempo. Este verão é um grande desafio", admitiu o responsável. Nestas circunstâncias, o objetivo da Transavia "é ser o mais flexível possível", disse.
Também o grupo Lufthansa anunciou ontem à noite que vai cancelar 20.000 voos de curta distância até outubro para diminuir o consumo de combustível, perante os aumentos desde o início da guerra no Irão.
Este verão, a Transavia dispõe de 2,5 milhões de lugares no mercado português, um aumento de 5,5% face ao mesmo período de 2024. A companhia, que considera Portugal um mercado chave na sua operação, terá uma oferta de 24 rotas de/para França, Países Baixos e Bélgica.
A transportadora low cost do grupo AirFrance-KLM opera nos cinco aeroportos nacionais (Faro, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada e Porto) e tem uma oferta que abrange nove destinos na Europa: seis para França, três para os Países Baixos e um para a Bélgica.
No ano passado, transportou mais de 3,3 milhões de passageiros de/para Portugal, assegurando uma taxa de ocupação superior a 90%. Portugal foi "um dos mercados com melhor desempenho", apontou Julien Mallard.
O responsável anunciou ainda que a Transavia lançou recentemente a possibilidade de revenda de bilhetes, "um serviço inédito no setor aéreo low cost". É uma resposta aos passageiros que inesperadamente não podem viajar na data planeada. Também único nas low cost é o serviço que dispõe de acompanhamento de crianças entre os cinco e 17 anos, disse ainda.
A Transavia está a renovar a sua frota, de forma a reduzir em 15% as emissões de CO2 e em 50% a pegada sonora.