

A Comissão Europeia vai revelar esta quarta-feira, 22, um conjunto de medidas para enfrentar a crise energética provocada pelo conflito no Médio Oriente. O objetivo é reduzir o consumo energético na União Europeia (UE) e aumentar o armazenamento estratégico, incentivando alternativas ao transporte automóvel e aéreo.
O plano, a ser divulgado por Bruxelas, inclui apoio a consumidores e empresas, possíveis reduções fiscais e ajustes de tarifas. Estas iniciativas surgem quase dois meses após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, que desencadearam respostas dos iranianos, resultando em preços elevados da energia.
Segundo um esboço obtido pela Agência Lusa, a Comissão propõe que os Estados-membros adotem medidas já eficazes, como o uso de bicicletas partilhadas, criação de zonas livres de automóveis, partilha de carros, maior utilização de veículos elétricos e incentivo ao transporte público. Além disso, sugere-se evitar viagens aéreas, especialmente no setor público, para minimizar o consumo.
A Comissão recomenda ainda ajustes nos sistemas de ar condicionado em edifícios públicos e a regulação das caldeiras domésticas para melhorar a eficiência energética. Estas ações visam não apenas reduzir o consumo, mas também proteger famílias vulneráveis através de vales de energia, preços regulados temporariamente e isenções fiscais sobre a eletricidade.
Para o setor empresarial, a aposta recai sobre energias renováveis, armazenamento e eficiência energética, incentivando a substituição de motores e sistemas fósseis por alternativas mais sustentáveis.
No que toca ao armazenamento, Bruxelas compromete-se a facilitar a coordenação das reservas de gás e a eventual libertação de petróleo. A última atualização da Gas Infrastructure Europe indica que as reservas de gás na UE estavam a 30,40%. Portugal destaca-se com 91,26% de armazenamento, embora a sua capacidade seja limitada em comparação com outros países.
A dependência da UE de importações de petróleo e gás aumenta a exposição a crises externas, como a atual situação no Médio Oriente. Embora Bruxelas assegure o abastecimento contínuo, a volatilidade dos preços já impacta famílias e empresas, aumentando a inflação e perturbando a indústria. Assim, a diversificação de fornecedores e a transição para energias renováveis são vistas como urgentes.