UE exige "resultados concretos" à China para travar défice comercial recorde

O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič alerta que o atual défice comercial, que, desde 2025, se fixa numa média recorde de mil milhões por dia, se tornou completamente "insustentável".
Maros Sefcovic, comissário europeu do Comércio
Maros Sefcovic, comissário europeu do ComércioAFP
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O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, mostrou-se expectante quanto à obtenção de "resultados concretos" nas conversações iniciadas na quinta-feira, em Pequim. O encontro visa mitigar o atual desequilíbrio na balança comercial entre o bloco comunitário e a China, num momento marcado pelo agravamento das fricções diplomáticas e económicas entre as duas potências.

Através de uma mensagem publicada na rede social X, o responsável da União Europeia reforçou o empenho de Bruxelas em encontrar soluções estruturais. Šefčovič sublinhou que os canais diplomáticos continuam totalmente operacionais, numa estratégia de diálogo contínuo que já se estende há vários meses com o objetivo de estabilizar "as relações comerciais".

O comissário europeu instou Pequim a apresentar "resultados concretos" de forma urgente, classificando como insustentável o atual desequilíbrio nas trocas comerciais entre o bloco europeu e o mercado chinês.

O aviso foi feito após uma reunião de alto nível com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, num momento em que a pressão sobre Bruxelas se intensifica devido ao desequilíbrio na balança comercial. Alinhado com a posição partilhada por diversos líderes europeus, Šefčovič alertou que o atual défice comercial da União Europeia face à China — que, desde 2025, se fixa numa média recorde de mil milhões de euros por dia — se tornou completamente "insustentável".

Bruxelas ameaça avançar com sanções e barreiras alfandegárias de proteção caso o governo chinês não implemente reformas profundas e eficazes para estancar o fosso comercial.

Do outro lado, o tom também subiu. Pequim já ripostou e garantiu que vai responder com firmeza a qualquer iniciativa europeia que penalize as suas empresas ou ameace os seus interesses económicos estruturais. O aviso deixa antever uma iminente guerra comercial e uma escalada de retaliações bilaterais, caso o diálogo em curso falhe.

A missão de emergência do responsável europeu em Pequim surge como uma derradeira tentativa diplomática para travar uma guerra comercial aberta entre os dois blocos económicos.

Esta deslocação de Maroš Šefčovič à capital chinesa assume um caráter de urgência máxima, ocorrendo a escassos dias de uma cimeira decisiva que vai reunir os chefes de Estado e de Governo da União Europeia em meados de outubro. O objetivo de Bruxelas é conseguir compromissos firmes antes do encontro de líderes, onde a aplicação de sanções e o endurecimento da política externa face à China estarão no topo da agenda política europeia.

Maros Sefcovic, comissário europeu do Comércio
China promete resposta “firme” se UE adotar novas restrições comerciais
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