Von der Leyen avisa que nenhum país da UE superará crise energética sozinho

Presidente da Comissão Europeia diz que a União Europeia (UE) deve ser “unir-se e não fragmentar-se” quando enfrenta crises globais, referindo-se ao impacto provocado pela guerra no Médio Oriente
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão EuropeiaEPA/YOAN VALAT
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A presidente da Comissão Europeia avisou esta terça-feira, 7, que nenhum Estado-membro da União Europeia vai conseguir superar a crise energética sozinho, apelando à união de todos e a um espírito de “estabilidade e resistência”.

Num discurso em Hanover, após ter sido condecorada com a medalha do estado alemão da Baixa Saxónia, Ursula von der Leyen abordou a crise energética provocada pela guerra no Irão para defender que, quando a União Europeia (UE) enfrenta crises globais, a resposta deve ser “unir-se e não fragmentar-se”.

“A nossa União já ultrapassou uma crise energética [após o início da guerra na Ucrânia] com unidade e determinação. A segurança energética da Europa é a nossa prioridade comum e a nossa responsabilidade. Nenhum Estado-membro pode proteger-se sozinho”, avisou a presidente da Comissão Europeia.

Von der Leyen considerou, contudo, que os Estados-membros da UE conseguirão superar a atual crise se agirem em conjunto.

“Podemos fazê-lo juntos, recorrendo às forças que nos permitem superar todas as crises: a estabilidade, a resiliência e a força de vontade”, afirmou, defendendo que, quando se é “fustigado pelo vento, quando antigas certezas se desmoronam, é necessária estabilidade e resistência”.

“Quantas vezes ouvi dizer, ao longo dos últimos seis anos, que a Europa não seria capaz de fazer isto ou aquilo? Desde superar a pandemia até garantir a nossa independência das fontes de energia russas? De apoiar a Ucrânia à Gronelândia? (…) Nós conseguimos”, afirmou.

A presidente da Comissão Europeia referiu que se vivem tempos em que “muitas pessoas têm medo do futuro” e disse que o “pessimismo é corrosivo, não apenas para os indivíduos, mas para a democracia”.

“Temos de ser capazes de imaginar um amanhã que seja melhor do que o hoje. E trabalhar para o alcançar, por mais desafiantes que sejam as crises, por mais frágil que seja a esperança”, referiu.

Afirmando que se esforça para deixar aos seus filhos e netos um mundo melhor do que o atual, Von der Leyen disse que, do seu ponto de vista, “isso significa uma Europa independente que protege a paz, a liberdade e a prosperidade”.

“Uma União que, no sistema global, defende os seus valores e interesses. Uma União onde prevalece uma paz duradoura. (…) Onde prevalece o Estado de direito e não a lei da selva. Uma Europa que é o nosso lar: rica em natureza, rica em diversidade”, referiu.

Na passada terça-feira, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, alertou que a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente “não será curta”, sugerindo medidas de redução da procura por pressões no gasóleo e combustível da aviação.

Os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Em consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.

Embora a Comissão Europeia tenha afirmado que o abastecimento energético está de momento garantido, a volatilidade nos mercados globais de gás, petróleo e eletricidade continua a pressionar consumidores e indústrias, assistindo-se a um aumento acentuado dos preços de energia.

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