Von der Leyen condena ataques energéticos ao Qatar e fala em riscos de abastecimento
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou esta sexta-feira, 20, os ataques iranianos à infraestrutura energética do Qatar, admitindo “riscos futuros” para o fornecimento à União Europeia (UE), que também “não está imune” à escalada de preços.
“O impacto mais imediato deste conflito, na Europa, é precisamente no setor energético. Neste momento, a segurança física do abastecimento na União Europeia está garantida, mas a Europa não está imune a aumentos globais de preços e, à medida que o conflito continua, os preços da energia continuam a oscilar”, começou por dizer a líder do executivo comunitário, em Bruxelas.
No final de uma reunião dos chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE) que durou mais de 12 horas e dominada pelos elevados preços energéticos, Ursula von der Leyen apontou que, “só hoje, o preço do gás subiu 30% após ataques a infraestruturas de gás no Qatar”.
“Estes são ataques irresponsáveis a infraestruturas e a navios comerciais desarmados, que aumentam os custos e levantam dúvidas sobre os riscos futuros de abastecimento”, admitiu.
O governo do Qatar afirmou hoje que os ataques iranianos às suas instalações energéticas reduzirão em 17% a capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL), causando perdas estimadas em 20 mil milhões de dólares em receitas anuais.
“Para minimizar o impacto, temos de agir, e foi isso que discutimos no Conselho Europeu. É muito importante que as medidas sejam temporárias, ajustadas e direcionadas e essa lógica está refletida no plano que apresentei hoje” com “medidas de alívio imediato sempre que possível e mudanças estruturais quando necessário”, avançou Ursula von der Leyen.
Em concreto, a responsável anunciou maior flexibilidade nos auxílios estatais para compensar o aumento dos custos da energia, bem como medidas para reduzir os encargos das redes elétricas, especialmente para indústrias com elevado consumo energético.
Está também prevista uma reforma da fiscalidade, com o objetivo de baixar os impostos sobre a eletricidade e garantir que esta seja menos tributada do que os combustíveis fósseis.
Ao mesmo tempo, será reforçado o sistema de comércio de emissões, com ajustes para apoiar a indústria, reduzir a volatilidade dos preços e criar um novo fundo de cerca de 30 mil milhões de euros destinado a investimentos na descarbonização.
“Não se trata de uma solução única para todos, mas a abordagem tem de ser muito específica, adaptada à situação de cada um dos diferentes Estados-Membros”, assegurou Ursula von der Leyen.
O Conselho Europeu reuniu-se hoje em Bruxelas para discutir como é que a UE pode conter os impactos da escalada militar no Médio Oriente dados os elevados preços da energia, garantindo também segurança no abastecimento energético.
Este foi o primeiro encontro presencial de alto nível desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irão e da consequente resposta iraniana, no final de fevereiro.
A escalada do conflito no Médio Oriente, região crucial para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está a provocar uma subida acentuada dos preços do petróleo e do gás e a afetar a economia europeia, com impacto direto nas famílias e no poder de compra dos consumidores.

