

A zona euro deverá sentir o impacto, este ano, da subida dos preços da energia provocada pela guerra no Médio Oriente, prevendo a OCDE um enfraquecimento do crescimento e um reforço da inflação.
As hostilidades desencadeadas no final de fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão provocaram uma subida dos preços do petróleo, do gás e de outros produtos, como os fertilizantes.
Também perturbaram as cadeias de abastecimento, provocando "as piores perturbações dos últimos 80 anos" para o comércio mundial, alertou esta quinta-feira, 26, a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala.
Consequentemente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) estimou que os custos aumentarão e que a procura diminuirá, contrabalançando o vigor dos investimentos relacionados com a Inteligência Artificial (IA) ou a redução das taxas efetivas dos direitos aduaneiros americanos.
A zona euro poderá sofrer um dos impactos mais significativos, pois, segundo as previsões económicas mundiais atualizadas, o crescimento situar-se-ia em 0,8%, ou seja, 0,4 pontos percentuais abaixo do previsto nas previsões da OCDE de dezembro.
Ainda assim, o crescimento europeu deverá recuperar para 1,2% em 2027, graças às despesas com a defesa.
No que diz respeito à inflação, a OCDE reviu em alta a previsão para 2026, de 0,7 pontos percentuais, para 2,6%. A taxa de inflação deverá abrandar para 2,1% em 2027.
A OCDE prevê uma atenuação progressiva das perturbações no mercado da energia a partir de meados de 2026, salientando, contudo, a imprevisibilidade da guerra, cujo impacto no crescimento e na inflação poderá amplificar-se com o prolongar do conflito.
"Caso as perturbações se prolonguem, poderá também surgir escassez energética significativa que travará ainda mais o crescimento", observou.
A organização citou, nomeadamente, os preços da ureia (um dos principais fertilizantes minerais azotados), que subiram mais de 40% desde meados de fevereiro.
"Se esta tendência ascendente se mantiver, terá repercussões negativas nos rendimentos das colheitas e nos preços mundiais dos produtos alimentares em 2027", referiu a OCDE.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, afirmou que as medidas decididas pelos governos para amortecer o choque devem ser "direcionadas", dado o "elevado custo orçamental".