A notícia foi ontem avançada pelo Dinheiro Vivo, que já citara fontes próximas que o indicavam, e hoje chega a confirmação da EDP. O megaconsórcio do Ambiente para exploração de hidrogénio verde em Sines, H2Sines, perde os gigantes da área da energia, que optam por "analisar outras hipóteses".
"A EDP concluiu a sua participação no grupo de empresas que, em julho do ano passado, iniciou os trabalhos de avaliação do projeto H2Sines. Essa análise, desenvolvida ao longo de quase dez meses de trabalho em total espírito de cooperação e parceria, possibilitou um conhecimento mais aprofundado sobre a cadeia de valor do hidrogénio verde e todas as oportunidades que pode oferecer na produção de energia limpa. Concluída essa avaliação, a EDP entende que a sua estratégia e futuros investimentos em hidrogénio verde deverão aplicar-se a outros projetos com os quais espera, de igual forma, continuar a contribuir para a descarbonização da economia", avançou hoje ao Dinheiro Vivo fonte oficial da EDP.
Conforme o DV noticiou ontem, EDP e a Galp decidiram sair do consórcio H2 Sines, o projeto de 1,5 mil milhões de investimento para produzir hidrogénio verde em Sines, tendo as duas empresas informado os restantes membros do consórcio - REN, Martifer, Vestas e Engie - sobre a sua saída na passada quinta-feira.
Fonte próxima do processo garante que o H2 Sines se mantém vivo e que segue o seu percurso. "E até vai ficar melhor, fica um projeto independente e mais internacional", garante, com o governo a defender que a formalização do consórcio "é das responsabilidade das empresas que o integram", destacando a dinâmica do mercado, visível nos 14 projetos candidatados ao POSEUR, correspondentes a 108 milhões de investimento, e que "absorvem a totalidade dos fundos disponibilizados".
Ao Dinheiro Vivo, a mesma fonte oficial da EDP afiançou que "continua a avaliar projetos inovadores e com potencial de crescimento nesta área nas várias geografias em que opera, mantendo atualmente cerca de 20 projetos sob análise - essa ambição está, aliás, refletida no próprio Plano Estratégico 2021-2025, no qual a EDP se compromete a investir em energias renováveis e inovação - e especificamente em hidrogénio verde, de forma a cumprir a meta de ser 100% verde até 2030".
Foi também com esse objetivo, sublinha a elétrica, que em fevereiro deste ano a EDP anunciou a criação de uma nova unidade de negócio, H2BU, precisamente para promover oportunidades de investimento e desenvolvimento de projetos na área do hidrogénio verde e do armazenamento de energia.
"Esta reavaliação do projeto H2Sines também não anula o compromisso da EDP em manter a sua ligação a Sines e em avaliar todas as potenciais oportunidades de investimento em projetos naquela região, seja no hidrogénio verde, seja em qualquer outra área que a empresa considere sustentável e que possa contribuir para o desenvolvimento do território e das suas comunidades", explica a companhia.
A elétrica apresentou hoje um novo posicionamento que pretende reforçar o compromisso de até 2030 ser uma empresa 100% verde, conforme avançou o DV. A nova estratégia prevê um investimento de 24 mil milhões de euros nos próximos quatro anos.