"O despertador de Bruno Filipe Santos toca todos os dias às seis da manhã. Senta-se ao computador até à hora de levar as filhas à escola. A partir da próxima semana haverá mais encomendas a cair no e-mail da Iguarias de Excelência que Bruno criou em fevereiro de 2010, com "um valor que permitiria a qualquer família de classe média fazer o mesmo".
"Começa com um sonho, mas também com o maior amadorismo possível. Queríamos trazer para Portugal os melhores produtos do mundo em cada segmento, independentemente da origem e do preço, e que representassem para o consumidor uma mais-valia de qualidade, de prestígio e algo que trouxesse exclusividade. Vender muito mais do que produtos alimentares e ter um serviço ao cliente rigoroso, que transpõe um conceito de private banking, de atendimento ao cliente, para a distribuição."
Em conversa com um dos maiores fornecedores atuais da Iguarias, Bruno ofereceu-se para fazer um business plan para a entrada do presunto Joselito, considerado o melhor do mundo, em Portugal. No meio dos números, apercebeu-se de que era um "ótimo negócio" e propôs à empresa espanhola ser ele a trazer e a vender o produto no País. Trouxeram aquele que é considerado o melhor presunto do mundo, o Joselito. "Depois, as trufas de Alba, o fois gras produzido pela família real sueca, o caviar do Irão. Fomos criando um portfólio de produtos muito especializados", diz.
Bruno nasceu em Lisboa, em dezembro de 1975. Trabalhou no Ministério dos Negócios Estrangeiros, na banca - o ritmo fê-lo desistir do curso de Economia no último ano -, foi administrador de uma empresa pública municipal, em Lisboa. Deixou os bancos, em 2010, para criar a empresa. O plano a três anos - em que o terceiro seria de internacionalização - foi antecipado: a Iguarias começou a exportar azeites, vinagres e pastas de azeitonas da portuguesa Almojanda (entre outros) para Angola e Cabo Verde, em 2011.
A estrutura da empresa cresceu e não foi a única. "Andávamos à procura de um projeto que nos colocasse mais perto de um público mais amplo e que até agora não era o nosso público-alvo. Mas sem abdicar dos valores fundamentais na empresa." Por outro cliente, soube que no dia que se seguia à emissão do programa de Jamie Oliver a corrida a ingredientes usados pelo chef era enorme. "É uma lei económica: se há procura, há que satisfazer a procura. Cheguei a casa: Google, Jamie Oliver. Entrei no site e vi um universo muito maior do que apenas um chef. Uma marca com livros, produtos alimentares, acessórios para cozinha. Enviei um e-mail, apresentei--me e recebi resposta no dia seguinte. Não vou criar romantismos: foi à tuga. Mas é um pouco aquele espírito português que deu mundos ao mundo."
A negociação prolongou-se entre setembro de 2011 e fevereiro deste ano, quando o contrato foi assinado. "Não foi fácil, mas chegámos a bom porto. Temos um casamento feliz e de felicidade. Feliz porque ainda bem que nos encontrámos, e de felicidade porque ambas as partes estão contentes e entusiasmadas." O entusiasmo garantiu à Iguarias um contrato de exclusividade dos produtos de Jamie Oliver em Portugal, à venda no Continente a partir da próxima semana.
A mudança de paradigma faz parte do "crescimento da empresa" e deve fazer duplicar a faturação. "O risco era os nossos clientes pensarem que estávamos a democratizar o luxo. Mas o luxo não é democratizável. Vamos oferecer outro produto, com características semelhantes mas que, felizmente, tem um patamar de preço e posicionamento de mercado que permite fornecer muitos mais clientes."
Retrato
A Iguarias de Excelência foi fundada por Bruno Santos e António Sobreda em fevereiro de 2010. Na empresa trabalham quatro pessoas. Tem cerca de 20 clientes e está direcionada para a alta restauração e hotéis de cinco estrelas. Em 2011, cresceu 114% e começou a trabalhar na exportação de pasta de azeitona, azeites e vinagres portugueses da Almojanda.