Eles compram na Av. da Liberdade

Apesar das rendas altas, a Avenida da Liberdade continua a ser a primeira escolha dos investidores que querem comprar em Lisboa
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Sabem-lhes os nomes mas não os dizem. Justificam-se na "política de privacidade", uma prática nas multinacionais de todo o mundo e, também aplicada em Portugal.

A lista de nomes dos principais compradores das lojas da Avenida da Liberdade inclui gente importante - e conhecida da maioria dos portugueses - mas está guardada a sete chaves pelos funcionários de cada loja. São estes clientes "sem nome" que asseguram a sobrevivência - e os bons negócios - de lojas de marcas como a Louis Vuitton, a Prada ou a David Rosas ou a Cartier.

De acordo com um relatório da consultora Cushman & Wakefield, divulgado em novembro passado, o crescimento do mercado de luxo em Portugal tem três motores fundamentais: angolanos, brasileiros e russos.

"A economia

pode estar fraca, mas as lojas de rua e os centros comerciais de topo

continuam a ter procura, principalmente por parte dos retalhistas

internacionais", refere o estudo.

Ainda assim, recentemente, houve vários nomes que surgiram como interessados em comprar em Lisboa. E não, não estamos a falar de marroquinaria ou jóias. Amancio Ortega, dono da Inditex, andou às compras em Lisboa e escolheu a Avenida da Liberdade e o Chiado para investir, avançou o Dinheiro Vivo no último fim de semana.

O terceiro homem mais rico do mundo segundo a revista Forbes comprou, no final do ano passado, o edifício Eurolex, onde está a sede da PLMJ, a loja da marca de fatos de banho Vilebrequin e ainda uma agência do Deutsche Bank, um negócio que implicou um investimento de 19 milhões de euros (foi uma das maiores operações imobiliárias concluídas no ano passado em Portugal).

Com algumas das rendas mais caras do país, a Avenida da Liberdade não deixa de ser a favorita de muitas empresas e investidores. As rendas das lojas chegam aos 72 euros/m2/mês, apenas superadas pelos 80 euros pedidos, em média, no Chiado. E, apesar de as rendas de escritórios terem caído para 18,50 euros/m2/mês no ano passado, são mais altas que as rendas de 16 euros pedidas no Saldanha.

A par dos russos (empresas e particulares), os chineses são já considerados os novos investidores em imobiliário em Portugal, juntando-se aos brasileiros e angolanos, que há cerca de três anos começaram a comprar ativos no país. As empresas chinesas Three Gorges e da State Grid, que ganharam a privatização da EDP e da REN, querem investir em Portugal e já andam à procura de ativos. Começaram por arrendar casas e agora querem começar a comprar em Lisboa. Ainda sem negócio concretizado, uma coisa é certa - a procura tem um nome na mira: Avenida da Liberdade.

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