Estas marmitas dispensam tupperwares, refogados noturnos ou lancheiras nos transportes públicos. Carlos Caneiras, 31 anos, trabalhava com mais dois sócios numa imobiliária que comprava, recuperava e vendia casas quando decidiu investir num novo negócio.
Desafiou o irmão, Filipe, e um amigo e em 2010 criaram a Rotina Perfeita, uma empresa de serviços domésticos que incluem a distribuição de pequenos-almoços porta-a-porta, limpezas, engomadorias e comida para cães e gatos. O conceito foi um sucesso.
Só que não estavam satisfeitos. Em fevereiro do ano passado arrancaram com o serviço de entrega de pequenos-almoços e jantares em casa, uma experiência que usaram como prova dos nove para o passo seguinte. Pegaram nas necessidades de tanta gente, de ter comida feita e pronta a comer, sem dificuldades edois meses depois criaram A Marmita, uma nova marca dentro da empresa que faz distribuição de almoços. começaram pelo centro de Lisboa, hoje já servem na Grande Lisboa.
"O sucesso das marmitas não está só relacionado com a poupança. Poupar dinheiro é importante, mas a opção também tem que ver com comer comida saudável e com não perder tempo. Num restaurante gasta-se a hora de almoço inteira. Com a marmita, sobra tempo para relaxar, passear, dar uma volta, descansar. A comida é muito boa, por isso faz todo o sentido. Ainda por cima vamos levar à porta, as pessoas não precisam de cozinhar", explica Carlos Caneiras.
Por 3,99 euro cada prato, os clientes têm à escolha cinco pratos fixos diferentes e uma ementa semanal, sempre distinta. Além dos pratos à escolha, os clientes têm a possibilidade de escolher saladas a gosto, com cinco ingredientes, por 3,49 euro.
"Só era possível chegarmos a estes valores se conseguíssemos entregar muito. A entrega demora um minuto, nem isso. É só entrar, entregar, tocar à porta para avisar que a comida já chegou, e vir embora. No final do mês, os clientes recebem uma fatura e têm até ao dia 8 do mês seguinte para fazerem o pagamento. Só assim conseguimos rentabilizar, porque com uma pessoa e um carro conseguimos entregar muitos jantares. Falamos de jantares como de almoços, dentro da mesma filosofia."
A Marmita entrega, atualmente, refeições em 11 zonas de Lisboa e arredores - de Sacavém a Oeiras, de Alfragide a Alcântara. Além disso, Carlos e Filipe querem levar o conceito para o Porto. E o mercado internacional também está incluído nos planos de expansão, ainda que sem recorrer ao franchising.
"Se aqui resulta, vai resultar em Espanha, em França e por aí adiante. Estamos a ir com calma. Há coisas no negócio que continuamos a tentar aperfeiçoar. Não faz sentido avançar com muito mais coisas imediatamente. Queremos chegar o mais longe possível. E isso só se faz com euros, como se costuma dizer."
Carlos e Filipe dizem que fizeram pouco para promover A Marmita. Os flyers distribuídos em empresas e na rua serviram como "passa a palavra". E até no Conselho de Ministros, às quintas-feiras, muitas vezes come-se petiscos da Marmita.