Como podemos garantir que o que é preciso é feito quando
enfrentamos uma organização fechada e hierarquizada? Olhando para
ela como se fosse um castelo medieval - feito para nos manter cá
fora e permanecer rígido e inalterado - e atacando as suas
fraquezas. Se investirmos de frente, arriscamo-nos a que todas as
defesas sejam imediatamente chamadas à batalha - imagine o fosso a
encher-se de água, grades e portões a fecharem-se, armas apontadas
para si. A alternativa é encontrar um caminho lateral, menos
visível, que não acione as defesas e nos permita ir enfraquecendo
as bases da estrutura até a fazer cair. Se procura trabalho numa
empresa assim ou quer introduzir mudanças consideráveis, arme a sua
estratégia.
1. Procure outras portas
Para se candidatar a um emprego, cumpriu a regra interna de
submeter o seu currículo online e foi chumbado. Os computadores são
os guardas que o impedem de entrar e falar com alguém. Muitos sites
de empresas não são claros quanto ao local da sede - muito menos
indicam uma morada onde possa apresentar-se. Se não consegue chegar
à porta da frente, entre por uma lateral. É aqui que o networking é
útil: um amigo que conheça alguém dentro da empresa pode ajudá-lo
a entrar e ser recebido. Quando conseguir uma conversa com um
executivo da empresa, não peça um emprego, proponha-se antes para
ser testado num determinado projeto e mostre-se disposto a aprender.
É muito provável que lhe deem a oportunidade de mostrar como
trabalha e isso vai ajudá-lo a conquistar o lugar.
2. Faça amizades lá dentro
Se já penetrou na estrutura, invista em fazer amigos - colegas, o
assistente do CEO ou até os seguranças. Conheço um executivo que
nunca se preocupou com este tipo de relação e repreendia
constantemente os funcionários. No único momento em que tentou
contornar as regras da multinacional onde trabalhava, a administração
soube imediatamente - e convidou-o a demitir-se. Por outro lado, uma
colega que entrara há pouco na empresa ficou amiga de secretárias e
assistentes dos administradores, conversava com toda a gente e assim
sabia sempre o que estava a acontecer, que desenvolvimentos e
projetos estavam a ser planeados, o que lhe permitia responder à
medida dos desafios. Rapidamente foi promovida.
3. Comece por baixo
Detetou um problema e quis levá-lo à direção, mas foi barrado?
Não desista, ataque pelas bases. Se vê problemas, os outros
provavelmente também os sentem. Numa empresa alemã, uma funcionária
queixava-se de que os seus projetos eram sempre chumbados. A certa
altura, percebeu que mais um estava a caminho do lixo e decidiu
mostrá-lo aos colegas, originando uma corrente de e-mails para a
administração, a apoiar e elogiar a ideia. A empresa recuou e o
projeto foi aceite.
4. Contorne a estrutura
O meu mentor fê-lo quando tinha em mãos um projeto de fusão de
sete hospitais que resultaria num melhor e mais eficiente serviço de
saúde. Cada instituição defendia o seu quintal: nas reuniões,
concordavam com tudo, mas depois nada se fazia. Enquanto
administrador de um dos hospitais, o meu mentor decidiu agir. Em
segredo, para evitar despertar defesas, entrou em contacto com o mais
permeável dos administradores dos outros hospitais e garantiu a
fusão entre ambos. Quando o negócio foi anunciado, os outros não
ficaram contentes, mas apressaram-se a negociar as restantes fusões
e tudo aconteceu finalmente.
Em épocas de recessão, como a atual, as organizações
impermeáveis como castelos reforçam as defesas, mas em simultâneo
ficam mais vulneráveis. Mesmo as mais fechadas, com o tempo
tornam-se frágeis e revelam telhados de vidro. Por isso não hesite
em atirar algumas pedras - currículos, projetos, planos. Acabará
por conseguir penetrar no forte.
Rosabeth Moss Kanter, diretora da Advanced Leadership Initiative
da Harvard Business School