O presidente da Associação Empresarial de Cantanhede reivindicou hoje, perante o ministro da Economia, a reabertura do ramal ferroviário da Pampilhosa para o transporte de mercadorias.
"Estamos disponíveis para demonstrar seja a quem for - ao ministro, ao primeiro ministro ou a que entidade for - que temos capacidade instalada no concelho para viabilizar o ramal que liga o porto da Figueira da Foz à linha do Norte, na Pampilhosa", disse hoje aos jornalistas Luís Roque.
Durante uma visita à empresa metalúrgica Fapricela, Luís Roque interpelou o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, sobre a situação do ramal ferroviário.
O ministro disse, por seu turno, que o Governo está "obviamente" disponível para estudar a situação do ramal.
No início de janeiro acabaram os transportes rodoviários alternativos ao ramal da Pampilhosa - cerca de 50 quilómetros de ligação ferroviária entre os concelhos da Mealhada e da Figueira da Foz.
Na prática, a linha já estava encerrada desde há três anos, em janeiro de 2009, altura em que a circulação de comboios foi suspensa por motivos de segurança devido à antiguidade dos carris na maioria do percurso, cujas obras de requalificação não se concretizaram.
"Temos empresas, temos mercadorias, temos tráfego. E temos de apostar no transporte ferroviário", declarou Luís Roque.
O empresário apontou precisamente a Fapricela e outras indústrias pesadas do concelho como exemplos da possibilidade de viabilização do ramal ferroviário.
"Estamos a falar de uma empresa que transporta toneladas diárias a um custo que começa a ser insuportável. Os senhores sabem o preço dos combustíveis", enfatizou.
O responsável argumentou que a linha ferroviária sofreu "avultados investimentos" - em 2007 foram renovados dez quilómetros de via, suprimidas passagens de nível e requalificado um túnel - e "a seguir foi desativada".
"Esbanjou-se dinheiro", disse.
O presidente da associação argumentou ainda que os empresários da região já demonstraram ao Estado que conseguem rentabilizar o ramal: "Mas os sucessivos governos têm adiado uma solução. O poder político não nos ouve".
Luís Roque disse também que a reposição da circulação, concretamente a de mercadorias, "não necessita de uma linha tecnologicamente de ponta, é preciso uma linha onde o comboio ande".
"Mostrem-me que há viabilidade e o Governo, obviamente, estudará a questão", comentou Álvaro Santos Pereira.
O ministro alegou que "toda a política de infraestruturas passa por ajudar a competitividade da economia portuguesa".
"Se for possível ou se fizer sentido fazer infraestruturas que possam ajudar as empresas a baixar os seus custos de contextos, estaremos sempre abertos a essas possibilidades", acrescentou.