Casos de sucesso que, a par de outros, como Martifer, BA Vidro, Colep, EDP, Simoldes Plásticos ou Colquímica, são "exemplos de excelência" da representação de Portugal na Polónia ou "embaixadores" do país, como os designou Pires de Lima, que na semana passada visitou algumas empresas portuguesas em Varsóvia e Poznan. Um mercado que, em 2014, valeu 550 milhões de euros nas exportações de bens e serviços de Portugal, valor que o ministro da Economia acredita que poderá duplicar em cinco anos.
Segundo a AICEP, eram 125 as empresas de capital português instaladas na Polónia em 2012, mais 15 do que em 2011. Serviços e comércio (incluindo produtos alimentares, medicamentos e têxteis), imobiliário, energia (nomeadamente as renováveis), setor financeiro e serviços em consultoria e advocacia são as áreas de atuação dominantes.
Sendo a Polónia o maior mercado da Europa Central e o oitavo maior mercado do continente europeu, atrai os empresários portugueses. Não só pela localização estratégica, mas sobretudo pelo dinamismo da economia. Basta ter em conta que o produto interno bruto per capita polaco cresceu, na última década, a uma taxa média anual de 3,9%. E mesmo em 2009, quando a taxa de crescimento do PIB per capita na União Europeia foi negativa em 4,4%, na Polónia cresceu 2,6%.
Pedro Pereira da Silva, responsável pela Jerónimo Martins na Polónia, classifica este mercado como "o mais competitivo da Europa". Não admira. Dos 22 players internacionais que existiam na distribuição alimentar há 20 anos, oito já saíram.
Mas não se pense que a crise não passou pela Polónia, até porque está hoje em deflação. A questão é como se enfrentam as crises e Luís Amaral, da Eurocash, confessou ao ministro que não se importava de ter mais um ano de crise. As suas vendas passaram de 1,5 mil milhões de euros em 2008, para 5 mil milhões em 2014. Graças, claro, à política de investimento constante em novas aquisições e novos formatos.
Aliás, a visita de dois dias de Pires de Lima à Polónia resultou do convite de Luís Amaral para as comemorações do 20.º aniversário da Eurocash. Um jantar que juntou algumas centenas de convidados em Poznan e no final do qual o ministro designou o empresário como o "Cristiano Ronaldo" na Polónia. E prometeu "tentar convencê-lo a investir muito mais no seu país". Luís Amaral "tem muita visão e precisamos disso [em Portugal]", frisou. Antes, na visita à Eurocash, o empresário, que tem uma participação no Observador, admitiu que olha "casuisticamente" para o mercado português. "Têm de ser coisas que eu entenda", disse.
Biedronka vai abrir mais de cem lojas ao ano
Em 20 anos, a Jerónimo Martins cresceu 20 vezes na Polónia, fechou 2014 com 8432 milhões de euros de vendas e assegura neste mercado dois terços do total da faturação do grupo. O caminho não foi fácil, reconhece o responsável da operação na Polónia, que garante que este é, "seguramente, o mercado mais competitivo da Europa", mas onde a Biedronka "continua a marcar a diferença e a crescer mais do que os restantes concorrentes". A expansão vai abrandar, mas não para. "Vamos continuar a abrir mais de cem lojas ao ano", promete Pereira da Silva.
Hoje, a "joaninha" - é isso que significa Biedronka em português -, está presente em 900 cidades, com uma rede de mais de 2600 lojas e dá emprego a mais de 55 mil trabalhadores. É a marca líder na distribuição alimentar e a terceira "mais valiosa" da Polónia, explicou o empresário ao ministro e ao secretário de Estado da Economia. Pires de Lima e Leonardo Mathias visitaram a sede da Biedronka na semana passada e ficaram a conhecer as razões do sucesso. "O que fizemos na Polónia não foi exportar o modelo que tínhamos em Portugal, mas adaptarmo-nos localmente. Tentamos perceber a cultura e ser um partner local. Crescemos, mas os nossos parceiros locais cresceram connosco", diz Pedro Pereira da Silva. A Biedronka conta com uma rede de 1500 produtores locais, mas não esquece a promoção dos artigos nacionais. Pera rocha, laranja do Algarve, bacalhau e vinhos foram alguns dos produtos que o ministro apreciou. Só em 2014, a JM importou 65 milhões de euros de produtos nacionais, sendo a fruta e os legumes 40 milhões e os vinhos 20 milhões.
Colquímica investe em linha de produção
Uma nova linha de produção, a quarta, na unidade de Poznan, na Polónia, e uma nova fábrica no continente americano são os investimentos previstos no imediato pela Colquímica. A empresa portuguesa com sede no Porto, que produz colas termoplásticas, ou hot-melt, para indústrias diversas, como encardenação, rotulagem, embalagens, têxteis técnicos, paletização ou produtos de higiene, como fraldas, tem em Portugal duas fábricas e instalou--se na Polónia em 2013, num investimento de três milhões de euros. Faturou 74 milhões em 2014, dos quais 7,7 milhões na Polónia. A fábrica arrancou em 2014 e foi preciso instalar logo mais duas linhas produtivas, investindo outros três milhões. E neste ano, precisamente para dar resposta às solicitações do segmento de fraldas, vai investir mais 1,5 milhões noutra linha, o que lhe permitirá aumentar em três mil toneladas a sua capacidade produtiva, atingindo as 18 mil toneladas anuais. E contratar mais seis trabalhadores, a acrescer aos 40 a que dá emprego em Poznan. Em Portugal são 140 e a capacidade produtiva é de 40 mil toneladas ao ano. Presente em mais de 50 mercados, esta empresa familiar, que tem já mais de 60 anos e está no top 6 das produtoras de colas hot-melt da Europa, prepara-se, agora, para investir numa nova fábrica no continente americano, anunciou Sofia Koehler a Pires de Lima. O investimento será da ordem dos três milhões e estará concluído em dois anos. Só falta mesmo acertar a localização da unidade. Em estudo está o México. "Nunca abrandamos em Portugal. Ampliamos horizontes e ganhamos novos clientes e novos negócios", diz Sofia Koehler.
Eurocash quer cinco mil super franchisados
Luís Amaral começou por ser quadro da Jerónimo Martins na Polónia. Hoje gere um império. Comprou a Eurocash, a empresa de cash & carry da Jerónimo Martins, em 2003, que faturava na altura 250 milhões de euros, e transformou-a no segundo maior grupo de distribuição do país, a seguir à Biedronka, precisamente, com vendas de 5 mil milhões de euros em 2014. Pelo caminho, foi colecionando empresas. Adquiriu a KDWT, empresa de distribuição de tabaco, a Premium Distributors, o maior produtor de vodca do mundo, a Inmedio, uma cadeia de mais de 400 lojas de conveniência, a Frisco, o maior supermercado online de Varsóvia, e a Tradis, o seu maior concorrente no segmento grossista, que comprou através de um takeover hostil.
Luís Amaral explicou a estratégia ao ministro da Economia, na sua visita à Eurocash. O objetivo em cada nicho é ser líder de mercado. Logo, "identificamos o líder e compramo-lo". Nem sempre é fácil, reconhece. "Há companhias que andamos a tentar comprar há dez anos. De seis em seis meses ligo a ver se alguém mudou de ideias", diz. A Makro é um deles. A Eurocash tem 26% de quota do mercado por grosso, a Makro tem 6%. Hoje, a Eurocash opera no negócio do cash & carry, da distribuição e do franchising. "Estamos a entrar no segmento de retalho, trazendo os clientes connosco e arranjando forma de nunca concorrer diretamente com eles." O cash & carry, com 170 lojas, já só vale 24% das suas vendas. A distribuição vale 22%, o tabaco 28% e o álcool 11%. Tem ainda uma rede de mil pequenos supermercados franchisados. A meta é chegar aos cinco mil, diz Luís Amaral.
Vivafit na Polónia com dez ginásios em dois anos
Uma centena de ginásios no espaço máximo de seis anos é o objetivo delineado pela Vivafit Polónia, sociedade que ficará com os direitos de masterfranchise da marca para o mercado polaco. Só nos primeiros dois anos serão abertos dez espaços Vivafit, num investimento de dois milhões de euros. Este contrato, assinado na semana passada em Varsóvia, na presença do ministro da Economia, Pires de Lima, e do secretário de Estado Leonardo Mathias, tem duas particularidades. É não só o primeiro masterfranchise da marca na Europa - até agora, todos os espaços existentes têm sido franchisados diretamente pelo fundador, Pedro Ruiz -, como é o primeira empresa externa em que Pedro Ruiz fica com parte do capital.
A Vivafit Polónia será detida em 25% pela Vivafit, 25% pela CEis, empresa de consultoria de João Rodrigues, vice-presidente da Câmara de Comércio Polónia-Portugal, e em 50% pelo ex-quadro da Coca--Cola na Polónia, Krzystof Grucela. A Vivafit é uma rede portuguesa de ginásios femininos, que iniciou a sua internacionalização em 2011. Tem 62 espaços a operar em Portugal, Espanha, Índia, Singapura, Uruguai, Indonésia, Taiwan, Emirados Árabes Unidos e Omã, e contratos assinados para aberturas no Bahrein, Arábia Saudita e Malásia.
O Cazaquistão é a mais recente conquista de Pedro Ruiz, que de Varsóvia partiu para Atyrau, uma cidade de dois milhões de habitantes, onde assinou o contrato-promessa para a abertura do primeiro ginásio Vivafit do país. Segundo Pedro Ruiz, o empresário admite abrir um segundo ginásio na cidade de Astana, embora o contrato ainda não o preveja.