

O Abanca anunciou a conclusão do seu programa de saídas voluntárias, que inicialmente contemplava a saída de 60 trabalhadores da área comercial, devido ao encerramento de 24 balcões após a aquisição do Eurobic. Contudo, o resultado final superou as expectativas, com 77 colaboradores a optarem por deixar a instituição.
Embora o banco não tenha divulgado oficialmente os números, fontes sindicais confirmaram ao ECO que 67 trabalhadores aceitaram saídas por mútuo acordo e que 10 decidiram aderir à pré-reforma.
Uma fonte sindical, que preferiu permanecer anónima, destacou que “o processo decorreu de forma extremamente pacífica, dado que houve uma articulação eficaz e os sindicatos foram informados com antecedência, permitindo o acompanhamento de cada caso”.
As condições das rescisões por mútuo acordo incluíam acesso a subsídio de desemprego e uma indemnização equivalente a 1,5 salários por ano de antiguidade, além de um seguro de saúde por 12 meses e apoio na busca de novo emprego.
Para os trabalhadores com 60 anos ou mais, os que optaram pela pré-reforma serão suspensos até atingirem a idade legal de reforma, recebendo 60% do salário durante esse período.
Ao apresentar este plano, o Abanca, que está a finalizar a integração do Eurobic, adquirido por 350 milhões de euros no verão passado, descartou a possibilidade de novos encerramentos de agências ou rescisões adicionais, reafirmando que a sua “estratégia está orientada para um modelo organizacional ajustado à realidade do negócio bancário”.
No que diz respeito aos números, no final do ano passado, o Eurobic contava com 1.467 colaboradores, dos quais 879 estavam na área comercial, operando em 165 balcões. O Abanca, por sua vez, tinha quase 400 colaboradores em Portugal.
Por outro lado, as contas do Eurobic não são animadoras, com uma queda acentuada de 36% nos lucros, que se fixaram em 46,1 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, conforme os resultados apresentados pelo Abanca esta semana.
A margem financeira, que reflete a diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os pagos nos depósitos, contraiu 21,4%, estabelecendo-se em 147,6 milhões de euros.
Ao contrário do que se observa nos grandes bancos, que estão a intensificar tanto o crédito como os depósitos, o Eurobic perdeu terreno em ambas as frentes.
A carteira de empréstimos reduziu-se em 3%, totalizando 5,3 mil milhões de euros, enquanto os depósitos caíram 1,4%, somando 7,1 mil milhões de euros.
Apesar destes desafios, o volume de negócios conseguiu estabilizar, impulsionado pelo aumento significativo em recursos fora de balanço, como fundos de investimento, que mais do que triplicaram, atingindo 364 milhões de euros.