

A empresa nascida em 1918 pela mão de Achilles e Affonso de Brito – e que ainda hoje se mantém na família, depois de alguns reveses que a fizeram ter outros donos – apresentou este ano a sua mais recente gama, a ACH Brito 1918, que é na verdade um rebranding da marca original, com o objetivo de reconquistar a classe média. Não sendo uma marca diferente, como é o caso da Claus Porto ou da Musgo Real, que também fazem parte da empresa, é uma gama que reposiciona claramente a ACH Brito.
A 1918 revisita todo o arquivo histórico da marca com uma linguagem contemporânea e editorial, num trabalho gráfico desenvolvido pelo Studio Eduardo Aires que, durante vários meses mergulhou no arquivo da empresa para recuperar anos e anos de imagens e memórias e voltar a mostrá-las ao consumidor - e que, entretanto, ganhou vários prémios com este projeto.
A ACH Brito 1918 integra sabonetes, creme de mãos, Eau de Toilette e velas, com aromas que se pretendem unissexo e intemporais, explica a marca. A empresa, atualmente liderada por Aquiles de Brito, bisneto do fundador, tem estado a tentar reposicionar-se desde que voltou a ser totalmente detida pela família, em 2022. Em outubro desse ano, a ACH Brito tinha ficado a pertencer ao FCR Novo Banco, gerido pelo Haitong Global Asset Management, devido à falta de pagamento de um empréstimo contraído pela administração da empresa para fazer face à crise resultante da Covid-19.
A dívida, de 1,5 milhões de euros foi convertida em capital, o que deixou a Menlo Capital – detentora de 80% da empresa – e Aquiles de Brito, com participações reduzidas a zero. Duas semanas depois dessa informação ter sido tornada pública, o bisneto do fundador anunciava que tinha adquirido a empresa. Em entrevista posterior à revista VISÃO, Aquiles de Brito recusou-se a revelar por que valor tinha adquirido a empresa, mas explicou que o fez com recurso a capitais próprios, e que a decisão tinha sido “pensada, mas também muito emocional”.
Com um passivo de cerca de 5 milhões de euros, 90 colaboradores e uma faturação muito penalizada pela Covid-19, Aquiles de Brito arregaçou as mangas e tomou algumas decisões estratégicas, desde então. Uma delas foi reforçar a aposta na marca que tem o nome da empresa – ACH Brito – e que tinha ficado relegada para segundo plano com o crescimento da Claus Porto que, pelo seu posicionamento mais premium, conquistou mercados internacionais com alguma facilidade e foi suportando a atividade. No entanto, para Aquiles – e para a mulher, Helena, que entretanto abraçou o projeto com igual fervor – voltar a colocar a Ach Brito na casa dos portugueses e dá-la a conhecer a novos clientes era um objetivo desde a recompra da empresa. Isto porque, diziam já na altura, lhes parecia pouco sensato não aproveitar o imenso acervo gráfico e histórico da empresa. E, além disso, havia um legado que era preciso manter e fazer crescer. “O meu bisavô Achilles de Brito fundou a primeira casa de fragrâncias e cosméticos da Península Ibérica e, mais de um século depois, ela ainda aqui está, volvidas duas guerras mundiais, uma série de pandemias e várias recessões económicas, etnre muitos outros acontecimentos desafiantes”, realçava na altura, na mesma entrevista à revista VISÃO.
É assim que, quatro anos depois, o rebranding de uma marca que é conhecida de todos os portugueses de gerações mais velhas, se prepara para atravessar o século XXI, com a mesma serenidade com que foi resistindo aos solavancos da história: moderniza-se, cresce, adapta-se, mas mantém o seu centro, neste caso, junto da sua história.
Um novo logo que é o sempre
A nova imagem da ACH Brito 1918 recupera o nome ACH. BRITO no logótipo, como existiu fisicamente na fachada da antiga fábrica do Porto, devolvendo-lhe a centralidade das embalagens. A tipografia, a grelha e a hierarquia visual seguem a mesma linha, pretendendo dar espaço ao aroma, à matéria, à experiência, explica ainda a ACH Brito na nota que acompanhou o anúncio do rebranding da marca. O regresso da cor vermelha é também salientado pela empresa, que recorda como este tom esteve presente na história visual da ACH. BRITO. “Na 1918, ele é assumido sem hesitação, mas com disciplina. Não como cor decorativa, mas como presença emocional” sendo “uma cor que atravessa séculos de simbolismo - poder, vitalidade, desejo, intensidade - e que aqui se transforma em assinatura”, justifica.
Nascem, também, dentro desta nova imagem, novas coleções que prometem conquistar novos consumidores e tentam resgatar antigos que, por algum motivo, se afastaram da marca em algum momento.
Com o futuro e mais um centenário no objetivo de muito longo prazo, Aquiles de Brito continua, como em 2022, a afastar para já a ideia de ter novos investidores externos à família, e pretende continuar a fazer crescer o legado que lhe foi deixado pelos seus antepassados.
Com a fábrica a operar em Vila do Conde, e lojas das várias marcas em Lisboa e no Porto – a loja da ACH Brito é em Fajozes, enquanto a Claus Porto e a Musgo Real têm espaços nas cidades – a ACH Brito parece ter voltado ao centro para encontrar forma de ganhar asas e, quem sabe, voltar a voar além fronteiras.