Aeroporto de Hong Kong espreita novas rotas após reunião com diplomata português

Em cima da mesa estiveram "assuntos de interesse mútuo", numa altura em que não existe qualquer acordo sobre rotas aéreas entre Portugal e Hong Kong.
Aeroporto de Hong Kong espreita novas rotas após reunião com diplomata português
AFP
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O aeroporto de Hong Kong confirmou esta segunda-feira, dia 16 de fevereiro, à Lusa que quer lançar novas rotas, uma semana após um encontro entre a liderança da infraestrutura e o cônsul-geral de Portugal em Macau.

Em 09 de fevereiro, Alexandre Leitão reuniu-se com a diretora executiva da Autoridade do Aeroporto de Hong Kong (AAHK, na sigla em inglês), Vivian Cheung Kar-fay, e com o responsável pelo desenvolvimento de novas rotas.

"[O encontro em Hong Kong foi uma] oportunidade de abordarmos assuntos de interesse mútuo”, disse o consulado, numa mensagem publicada na rede social Facebook.

Questionado pela imprensa de Macau sobre se as duas partes tinham falado sobre potenciais voos diretos de passageiros entre Hong Kong e Portugal, Alexandre Leitão não revelou detalhes sobre a reunião.

Numa resposta escrita a questões da Lusa, a AAHK disse que tem procurado “estabelecer contactos com companhias aéreas e parceiros comerciais do setor global, incluindo autoridades governamentais e operadores aeroportuários”.

O objetivo é “fomentar relações de cooperação no desenvolvimento de rotas”, acrescentou um porta-voz da operadora do aeroporto de Hong Kong.

A AAHK disse ainda que tem trabalhado com o Governo da região semiautónoma chinesa para “estabelecer novos acordos de serviços aéreos ou expandir os já existentes”.

Hong Kong não tem atualmente qualquer acordo de serviços aéreos com Portugal, ao contrário da vizinha Espanha, que assinou um pacto em 2018.

Após lançar voos para 30 novos destinos em 2025, a AAHK garantiu que “continuará a expandir a sua ampla rede aérea”.

Em 03 de abril de 2025, arrancou a primeira rota de carga de longo curso entre Macau e Madrid, operada pela companhia aérea da Etiópia Ethiopian Airlines.

Na altura, o diretor nacional para a China da Ethiopian Airlines, Aman Wole Gurmu, sublinhou que Macau é “uma plataforma importante” para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os Estados lusófonos em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.

O organismo integra, além da China, os países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial.

Três semanas depois do lançamento do voo entre Madrid e Macau, Alexandre Leitão lamentou que a ligação não tenha como destino Lisboa ou o Porto.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

Tanto a Direção dos Serviços de Turismo de Macau como vários deputados – incluindo o português José Pereira Coutinho, o mais votado nas eleições de setembro – têm apelado ao arranque de voos de passageiros com Portugal.

A TAP chegou a voar duas vezes por semana entre Lisboa e Macau na década de 1990. No entanto, a ligação seria suspensa em 31 de outubro de 1998, com a companhia a acumular prejuízos na ordem de 200 milhões de patacas (21 milhões de euros).

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