

A TAP pode vir a ocupar um “lugar central na organização do grupo” Air France/KLM, caso este saia vencedor do processo de privatização em curso, assumiu esta quinta-feira um dos administradores de topo do grupo franco-neerlandês, na conferência de imprensa para apresentação dos resultados anuais.
Questionado pelo DN/Dinheiro Vivo sobre uma reunião com a gestão da TAP na semana passada, o administrador financeiro da Air France/KLM, Steven Zaat, confirmou o encontro, adiantando ter mantido “uma conversa agradável” com o board dirigido por Luís Rodrigues. A reunião terá servido para a gestão da TAP apresentar a atual estratégia da companhia para o futuro.
A primeira questão colocada foi se a Air France concordava com essa estratégia. “Na verdade, tivemos uma conversa agradável na semana passada com a equipa de gestão. No final do dia, tudo se resume ao que a TAP quer ter, com que [condições] se sente confortável e com o que é que nós nos sentimos confortáveis”, disse Steven Zaat.
O CFO do grupo Air France-KLM sublinhou, por outro lado, que o grupo “trabalha de forma muito colaborativa” e próxima das operações das companhias aéreas. “Como podem ver, estamos aqui com holandeses, canadianos e franceses, todos juntos”, enfatizou o administrador, considerando que a TAP pode ter “um lugar central em termos de organização do grupo”.
“Foi isso que discutimos em Lisboa”, disse, acrescentando que o resultado final também “depende, claro, do preço a pagar e de qual será toda a estrutura de governance”. Ou seja, também qual será o papel e alcance do Estado na gestão estratégica da companhia portuguesa.
O DN perguntou ainda ao grupo Air France/KLM, como potencial comprador, sobre que mudanças considera que a TAP teria de fazer na abordagem ao negócio. “Como sabe, fomos selecionados para fazer parte do processo como um dos três grupos de companhias aéreas na Europa. Estamos a trabalhar na oferta não vinculativa e acho que não posso revelar nada do que vimos na data room”, um espaço privilegiado em que os proponentes têm acesso a informação confidencial e comercial da empresa portuguesa.
Questionado pelos jornalistas sobre se a compra da TAP poderia comprometer a meta traçada pela Air France-KLM de atingir uma margem operacional de 8% até 2028, Steven Zaat sublinhou que o grupo não iria investir numa empresa na qual não tivesse “confiança de que pode atingir” essa margem.
“Viram a margem da TAP nos últimos anos. Portanto, digamos que essa não é a nossa maior preocupação. São um bom ‘player’ na América do Sul e, claro, integrar o grupo [Air France-KLM] irá torná-los ainda mais fortes”, sustentou.
Por sua vez, o presidente executivo (CEO) da Air France-KLM, Benjamin Smith, salientou que “a rede que a TAP tem atualmente é muito complementar” à do grupo, nomeadamente nas ligações à América do Sul: “Ter um ponto de entrada na América Latina a partir da Península Ibérica estrategicamente seria ótimo para nós”, afirmou.
A Air France-KLM registou um lucro líquido recorde de 1,75 mil milhões de euros em 2025, impulsionado pelas remodelações implementadas e pela moderação dos preços dos combustíveis, anunciou na quinta-feira o grupo franco-neerlandês.
As receitas do grupo no ano passado também atingiram um valor recorde, de 33.000 milhões de euros, mais 4,9% do que em 2024, informou a Air France-KLM em comunicado.
“Apesar da persistente incerteza externa, encaramos 2026 com confiança e com o compromisso de implementar de forma rigorosa e disciplinada a nossa estratégia para atingir os nossos objetivos a médio prazo”, afirmou Benjamin Smith, após destacar o “sólido desempenho num ambiente complexo” da Air France-KLM em 2025.