

A falência dos grandes armazéns de luxo Saks, com dívida superior a três mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros), deixou vários parceiros financeiros e comerciais a contabilizar perdas significativas — entre eles a Amazon.
A gigante de Jeff Bezos tinha participado na estratégia de expansão da Saks como investidor e parceiro comercial: um investimento de capital de 475 milhões de dólares que suportou a aquisição da Neiman Marcus e um acordo de comércio que prometia à Amazon comissões avaliadas em pelo menos 900 milhões de dólares ao longo de oito anos, através de uma loja virtual da Saks na plataforma da Amazon.
A injeção de capital está, segundo fontes judiciais, praticamente perdido. Quanto às receitas futuras contratadas, a Amazon acredita que parte ainda poderá ser recuperável, embora a unidade da Saks que oferecera garantias tenha entretanto empenhado os seus ativos para um novo empréstimo sénior de 1.500 milhões de dólares, complicando a posição dos credores e contratantes.
A Amazon tem contestado a situação nos tribunais e os seus advogados ameaçam pedir a nomeação de um administrador ou examinador no processo de insolvência, entre outras medidas legais, na tentativa de proteger interesses que parecem difíceis de recuperar integralmente.
A queda da Saks afetou outras empresas, como a Salesforce, ainda vários fornecedores de artigos de luxo e detentores de obrigações, que também registaram perdas elevadas.
De referir que, verão passado, a Saks emitiu 600 milhões de dólares em novos títulos que hoje valem muito pouco, num processo que deixou alguns credores sem as garantias previamente acordadas.
Para a Amazon, contudo, estas perdas são por agora absorvíveis: a dimensão do grupo permite arriscar participações que não põem em causa a sua viabilidade, embora a execução do projecto — e não a ideia de vender luxo online, cujo mercado cresce e poderá representar um terço das vendas até 2030, segundo estimativas — seja apontada como a principal causa do insucesso.