Bankinter emprestou 175 milhões em crédito à habitação com garantia

Responsável em Portugal estima que até final do ano o banco gaste a totalidade da sua quota (60 milhões de euros) e empreste cerca de 400 milhões de euros em crédito à habitação com garantia pública
Bankinter emprestou 175 milhões em crédito à habitação com garantia
Paulo Spranger/Global Imagens
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O Bankinter Portugal emprestou 175 milhões de euros em crédito à habitação com garantia pública, disse o responsável pelo banco numa conversa com jornalistas, estimando que até final do ano o banco deve esgotar a totalidade da sua quota da garantia pública.

Segundo o diretor da sucursal do Bankinter em Portugal, Alberto Ramos, entre janeiro de 2025 e fevereiro deste ano o banco emprestou 175 milhões de euros em crédito para compra de casa com garantia pública e usou 44% da sua quota de garantia pública.

Alberto Ramos estimou que até final do ano o banco gaste a totalidade da sua quota (60 milhões de euros) e empreste cerca de 400 milhões de euros em crédito à habitação com garantia pública. Afastou, para já, um pedido de reforço da quota.

A garantia pública para o crédito à habitação a jovens até 35 anos (inclusive) aplica-se a contratos assinados até final de 2026 e permite ao Estado garantir, enquanto fiador, até 15% do valor da transação. Na prática, a medida permite que os jovens consigam obter 100% do valor da avaliação da casa, em vez dos 90% de limite.

O Governo definiu o montante máximo da garantia pública em 1.200 milhões de euros, sendo distribuída uma quota a cada banco.

Questionado sobre a razão para o Bankinter estar a ser menos célere na concessão de crédito com garantia pública, o responsável disse que o banco está satisfeito com os empréstimos concedidos.

"Temos conseguido atrair crédito de boa qualidade, estamos satisfeitos com o crédito que temos, a qualidade do mesmo", disse na conversa com jornalistas.

O Bankinter está presente em Portugal há 10 anos (celebra no dia 01 de abril). O grupo espanhol teve lucros de 1.090 milhões de euros em 2025, mais 14,4% do que em 2024.

Os resultados antes de impostos do Bankinter Portugal em 2025 foram de 210 milhões de euros, um crescimento de 7% face a 2024.

Sobre as moratórias criadas para os clientes (famílias e empresas) afetados pelo comboio de tempestades, o presidente do Bankinter Portugal disse que "não afetou muito clientes do Bankinter".

Até agora, pediram moratória 97 clientes com créditos totais no valor de 20 milhões de euros, dos quais cerca de 65% são empresas e os restantes particulares. A maior concentração é nas zonas de Leiria e Santarém.

Quanto às linhas de crédito de apoio às empresas, o Bankinter fez 101 operações de crédito, no valor de 25 milhões de euros. Estão em fase final de contratação 57 operações no valor de 10 milhões de euros.

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Numa conversa com jornalistas, a propósito dos 10 anos do Bankinter em Portugal, Alberto Ramos afirmou que para esse objetivo o banco vê "muitas oportunidades de crescimento", desde logo em crédito a empresas e crédito à habitação.

"Temos bases sólida e resultados do banco consistentes", afirmou, acrescentando que em 2025 o volume de negócios do banco foi superior a 30 mil milhões de euros, mais 12% face a 2024 e o triplo do registado em 2016.

Atualmente, disse, os líderes em volume de negócios são os cinco maiores bancos (CGD, BCP, Santander Totta, Novo Banco, BPI) seguindo-se Montepio, Crédito Agrícola e Bankinter (8.º lugar).

Num banco, o volume de negócios diz respeito à soma de crédito concedido com depósitos/recursos de clientes.

Em final de 2025, o Bankinter Portugal tinha 11.686 milhões de euros em crédito (mais 8% face a 2024) e os recursos de clientes (incluindo depósitos) ascendiam a 10.463 milhões de euros (mais 9%). Os recursos fora de balanço eram de 7.995 milhões de euros (mais 23%).

O Bankinter entrou em Portugal há 10 anos com a compra do negócio de retalho do Barclays em Portugal.

O Bankinter Portugal é uma sucursal, forma jurídica que Alberto Ramos considera adequada manter pois - disse - permite aproveitar a "'expertise' do grupo central" e as sinergias e sem "impacto do ponto de vista da concessão do crédito".

O grupo entrou no mercado português, em 2016, com uma oferta forte em crédito à habitação e desde então tem mantido uma importante carteira de crédito para compra de casa. O crédito à habitação total era, em final de 2025, de 6.583 milhões de euros (o equivalente a uma quota de mercado de 5,5%).

Já o crédito a empresas era, no fim do ano passado, de 4.166 milhões de euros, o equivalente a uma quota de mercado de 2,71%.

Crescer no negócio de empresas é um objetivo do banco nos próximos anos: "O negócio de empresas já representa 35% das receitas e o objetivo é chegar a 50%", afirmou o presidente do Bankinter Portugal aos jornalistas.

Em Espanha, cerca de 50% das receitas do Bankinter é com empresas, mas Alberto Ramos recordou que aí o banco começou por estar mais ligado à indústria enquanto em Portugal entrou focado no crédito à habitação.

Além de Espanha e Portugal (a maior operação do Bankinter fora de Espanha), o grupo Bankinter está presente na Irlanda (entrou em 2019) e tem uma pequena operação no Luxemburgo.

Em 2025, o grupo espanhol teve lucros de 1.090 milhões de euros, mais 14,4% do que em 2024.

Já os resultados antes de impostos do Bankinter Portugal em 2025 foram de 210 milhões de euros, um crescimento de 7% face a 2024.O Bankinter Portugal tinha, em final de 2025, 82 agências (além de balcões 'private' e centros de empresas) e 884 trabalhadores (mais 30 face a 2024).

Questionado sobre se o Bankinter está interessado em aquisições em Portugal, o presidente disse que o banco estará sempre atento mas que também "não há muitas oportunidades para consolidar no mercado português", pelo que o foco é o crescimento orgânico.

Sobre o período mais crítico destes 10 anos, afirmou Alberto Ramos que "o mais difícil foi a pandemia", considerando que os bancos não foram devidamente reconhecidos pelo seu papel na minoração dos impactos da crise da covid-19.

Questionado sobre o ex-gestor Carlos Brandão e se o banco abriu alguma averiguação interna, Alberto Ramos disse apenas que "o banco analisou com todo o detalhe essa situação" e não quis adiantar mais informações.

No início de 2025, o Novo Banco destituiu Carlos Brandão de administrador após ser constituído arguido por suspeitas de operações financeiras ilegais. Carlos Brandão foi presidente executivo do Bankinter em Portugal entre 2016 e 2017.

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