

O Bison Bank anunciou esta quarta-feira, 6, a entrada oficial da primeira 'stablecoin' [criptoativo estável] portuguesa e a principal meta a médio prazo é a construção e consolidação do ecossistema, disse à Lusa o presidente executivo (CEO).
"Uma 'stablecoin', ou, usando a terminologia técnica correta ao abrigo do regulamento europeu MiCA, um E-money Token (EMT), não é uma moeda no sentido tradicional, mas sim a sua representação digital num ambiente de 'blockchain'", explica à Lusa António Henriques.
No caso do Bison Bank, "vamos lançar dois EMT – um indexado ao Euro (EUB) e outro ao Dólar americano (USB). A indexação é direta, com uma paridade de um para um, o que significa que cada EMT em circulação tem o seu valor integralmente assegurado pela respetiva moeda fiduciária, custodiada no balanço do Bison Bank" e "isto garante a mesma segurança de uma moeda tradicional, mas com a agilidade do mundo digital", acrescenta o CEO do banco português especializado em serviços de banca de investimento, depositário, 'corporate advisory' e de ativos digitais.
A principal vantagem que esta solução introduz - 'Bison Bank Electronic Money Token' - "é a capacidade de resolver as ineficiências, custos e incertezas dos pagamentos transfronteiriços", aponta António Henriques.
Por exemplo, "uma transferência internacional, fora do espaço europeu, pode envolver entre quatro e nove intermediários, o que a torna lenta e de custo imprevisível" e a "nossa solução elimina esses intermediários, reduzindo a cadeia de participantes para apenas dois – o ordenante e o beneficiário –, o que vai permitir que as transações sejam significativamente mais rápidas e económicas", sublinha.
Numa fase inicial, "os EMT destinam-se exclusivamente a um segmento institucional e regulado", ou seja, bancos, instituições de pagamento, instituições de moeda eletrónica e outros prestadores de serviços de ativos virtuais (VASP/CASP)".
O objetivo, acrescenta, "não é a negociação especulativa nem o acesso direto pelo cliente particular, mas sim a utilização destes EMT como veículo para otimizar a liquidez e agilizar transferências e pagamentos internacionais entre instituições financeiras, reduzindo intermediários e incertezas" e, "em última análise, isto vai beneficiar o cliente final com um serviço de transferências internacionais de maior qualidade".
Questionado sobre a expetativa, o CEO do Bison Bank adianta que é, "acima de tudo, qualitativa".
"Esperamos uma reação positiva, especialmente por parte das entidades que lidam diariamente com as complexidades dos pagamentos internacionais" e a "nossa expectativa é que reconheçam o valor desta solução como uma ponte segura e regulada entre a finança tradicional e o potencial do mundo dos ativos digitais", salienta.
Até porque "acreditamos que, ao validar o modelo neste ambiente controlado, criamos as bases para, no futuro, ponderar um alargamento ao retalho", contudo "essa expansão será feita de forma prudente e gradual, em linha com a nossa filosofia de inovação e segurança", assevera o CEO.
Relativamente à meta de médio prazo, António Henriques contextualiza: "Para este primeiro ano de operação, estabelecemos como objetivo a emissão de um volume total de 5 milhões de euros em 'tokens' (considerando o conjunto dos EMT de Euro e Dólar)".
No entanto, "mais do que o valor quantitativo, a nossa principal meta a médio prazo é a construção e consolidação do ecossistema".
Ou seja, "o sucesso deste projeto vai ser medido pela capacidade de atrair novos membros institucionais e pela utilidade real que estes retiram da plataforma para otimizar as suas operações" e o "nosso foco está em fazer crescer a rede e a confiança na solução, pois é isso que vai garantir a sua sustentabilidade e o seu crescimento futuro", remata o CEO do Bison Bank.