CAP protesta em Estrasburgo contra subida dos custos dos fertilizantes e combustíveis

Confederação alerta que atual cenário poderá transformar‑se numa crise alimentar, com efeitos graves sobre a produção, os consumidores e a soberania alimentar europeia.
Luís Mira, secretário-geral da CAP
Luís Mira, secretário-geral da CAP FOTO: Gerardo Santos
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A Confederação dos Agricultores de Portugal participa esta terça-feira, em Estrasburgo, numa ação de protesto promovida pelo Copa‑Cogeca e pelas principais organizações agrícolas europeias, com o lema “Crise nos fertilizantes e nos combustíveis hoje, crise alimentar amanhã”.

A concentração decorre junto ao Parlamento Europeu a partir das dez horas locais (nove horas da manhã em Portugal continental) e coincide com a apresentação do Plano Europeu de Ação para os Fertilizantes.

Os agricultores exigem medidas de apoio imediatas para travar a escalada dos custos de produção, em particular dos fertilizantes, dos combustíveis e da energia.

Entre as reivindicações está a suspensão temporária do Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço, o CBAM, por considerar que a taxação de importações com base nas emissões de carbono penaliza insumos essenciais como os fertilizantes e agrava a situação do setor.

Luís Mira, secretário‑geral da CAP, representa os agricultores portugueses na ação e reclama respostas concretas do Executivo de Luís Montenegro.

“Em Portugal, os agricultores continuam confrontados com anúncios sucessivos, promessas repetidas e ausência de respostas concretas por parte do Governo, capazes de mitigar os impactos desta crise no rendimento das explorações”, diz o responsável da confederação.

Para o dirigente, “é inaceitável que os agricultores portugueses sejam obrigados a competir em clara desigualdade dentro do mercado europeu por falta de vontade política do Governo português em apoiar a Agricultura”.

A CAP sublinha que outros Estados‑membros, como Espanha, França e Itália, já estão a executar pacotes de apoio que compensam o aumento dos custos, o que torna a concorrência com a produção nacional claramente penalizadora.

Luís Mira adverte ainda que “os agricultores portugueses não podem continuar a ser tratados como agricultores de segunda dentro da União Europeia” e reforçou que “a agricultura portuguesa precisa de respostas. E precisa delas agora”.

A confederação alerta que, sem medidas urgentes e eficazes, a crise dos fertilizantes, dos combustíveis e da energia poderá transformar‑se numa crise alimentar, com efeitos graves sobre a produção, os consumidores e a soberania alimentar europeia.

Nesse quadro, a CAP diz estar presente em Estrasburgo para defender a produção nacional, reclamar justiça entre Estados‑membros e pressionar por políticas que assegurem a competitividade do setor em Portugal.

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