Pequim iniciou uma revisão do acordo através do qual a tecnológica norte-americana Meta adquiriu a plataforma chinesa de inteligência artificial Manus, por dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros), noticiou esta quarta-feira o Financial Times.Segundo o jornal britânico, o ministério do Comércio da China está a analisar se a venda, concluída após a mudança da sede da Manus para Singapura, violou os controlos de exportação de tecnologias sensíveis impostos por Pequim.A operação, anunciada no final de dezembro, representou um raro caso de aquisição de uma empresa chinesa por parte de uma gigante tecnológica dos Estados Unidos, num contexto de crescentes tensões entre as duas potências, sobretudo no setor da inteligência artificial.Citado pelo diário, o académico chinês Cui Fan, da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim, defendeu que as investigações devem averiguar se a Manus desenvolveu tecnologias sujeitas a controlo enquanto operava na China."Pensar que romper laços com a China pode servir para contornar os regulamentos tanto da China como dos EUA é simplista", escreveu o professor na rede social WeChat.A mudança da Manus para Singapura ocorreu após uma ronda de financiamento liderada pela norte-americana Benchmark, o que colocou a empresa sob o radar do Departamento do Tesouro dos EUA, no âmbito das restrições ao investimento norte-americano em IA chinesa.O acordo com a Meta suscitou também dúvidas em Pequim, onde as autoridades receiam que a deslocação de sedes para Singapura, estratégia seguida por outras firmas como a Shein, sirva para contornar a supervisão regulatória chinesa.Chris McGuire, do 'think tank' norte-americano Council on Foreign Relations (CFR), considerou que o caso "reflete a fratura tecnológica entre China e EUA"."A deserção da Manus mostra que, atualmente, o ecossistema norte-americano é mais atraente", afirmou.Fontes citadas pelo Financial Times sublinham que a revisão ainda está numa fase preliminar e pode não resultar numa investigação formal. No entanto, caso avance, poderá permitir a Pequim influenciar ou até bloquear o negócio.Em 2020, o Governo chinês adotou uma estratégia semelhante para travar a venda forçada da aplicação TikTok, imposta pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, alegando riscos para a segurança nacional dos EUA.Apesar da atenção gerada pela Manus, o FT nota que as autoridades chinesas não a classificam como detentora de uma "tecnologia vital", o que poderá reduzir a probabilidade de uma intervenção direta.A Manus ganhou destaque no setor chinês de IA após o lançamento, em março passado, de uma versão preliminar do seu assistente digital, disponível apenas por convite. Apresentado como um agente de uso geral, o sistema exige menos ordens do que outros 'chatbots' para realizar tarefas complexas, num momento de forte concorrência com plataformas como a DeepSeek. .Plataforma chinesa de IA Manus vai integrar grupo Meta após acordo de aquisição