Ciclo de reservas 'last minute' "veio para ficar", diz Associação da Hotelaria

A Associação da Hotelaria de Portugal faz um balanço "positivo" do verão e estima que os proveitos cresçam acima da inflação em 2026. As reservas feitas 'em cima da hora' são uma tendência.
Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP
Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHPReinaldo Rodrigues
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A época alta contou com uma taxa de ocupação de 80% nos quartos de hotel. Aproxima-se o outono, cujas reservas hoteleiras estão, para já, abaixo das registadas no ano passado, mas os números ainda podem mudar e a AHP antecipa que os proveitos devem crescer acima da inflação em 2026.

A análise é da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que aponta para uma subida de 5% nos proveitos totais em 2026, para um total de 7,4 mil milhões de euros (7,1 mil milhões no ano passado). Em causa está um crescimento acima da inflação.

As receitas, porém, devem crescer abaixo daquele indicador macroeconómico, na ordem de 3%, até aos 30 mil milhões de euros no presente ano (29,1 mil milhões em 2025) — o FMI antecipa que os preços subam 3,2%, o Banco de Portugal aponta para 3,1% e o Governo põe a fasquia nos 2,9% (previsões mais recentes).

O número de hospedes deverá crescer menos, na ordem de 1,5%, ao passo que as dormidas devem avançar 1,4%. A diferença face a receitas e proveitos está ligada à subida dos preços, por parte do setor hoteleiro.

Olhando para os meses de época alta, a AHP regista um recuo de 81% para 80% na taxa de ocupação relativa ao período, de junho a setembro de 2026 (face ao período homólogo). A R.A. Madeira registou a ocupação mais elevada (90%), em contraponto com a zona Centro (60%). O Norte ficou na média (80%), ao passo que a Grande Lisboa foi um pouco mais além (82%).

Ainda assim, a tarifa média (ARR) subiu 3%, até aos 171 euros, com os extremos a ficarem definidos pelo Algarve (228 euros) e o Centro (102 euros). Em simultâneo, a receita por quarto disponível avançou 1%, para 137 euros, com o Algarve mais uma vez no topo (195 euros) e o Centro igualmente no fim da lista (61 euros).

Os dados resultam de uma análise realizada pela própria AHP, que esteve em contacto com hotéis de todo o país — importa dizer que nem todos foram inquiridos.

No que respeita à nacionalidade dos turistas, o mercado português voltou a ser o mais presente entre junho e setembro, ainda que com menor predominância. Quando questionados pela AHP sobre os "três principais mercados no seu estabelecimento", 77% dos inquiridos salientam os portugueses (após 81% no ano passado).

O segundo maior mercado também recuou. É o caso do Reino Unido, com 55% em 2025 e 49% em 2026. Espanha ascendeu à terceira posição (ganho de 39% para 44%), seguida pelos EUA (contração de 45% para 41%). A Alemanha completa as cinco primeiras posições (de 31% para 32% no presente ano).

Estes dados são referentes à perceção dos responsáveis do hotéis e, na perspetiva de Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP, registam-se "pequenos desvios pontuais" face aos dados concretos.

Para o período em análise, os EUA são o mercado mais vezes referido como estando entre os três mais presentes nos hotéis da Grande Lisboa. Siza Vieira salienta "alguma surpresa por o mercado canadiano não ter aparecido com a esperança que esperávamos", já que não está entre os três mais presentes.

A própria destaca ainda a "presença fortíssima" de turistas britânicos no Algarve (95%) e o "crescimento interessante do mercado dos EUA para o Alentejo", já com 38%, só atrás de Espanha e Portugal (54% e 93%, respetivamente), ainda que a presença norte-americana seja "pouco expressiva" à escala nacional.

Questionados os inquiridos sobre o "desempenho dos proveitos totais [entre junho e setembro], quando comparado com o mesmo período de 2025", os números são maioritariamente positivos, com a exceção da Grande Lisboa. Naquela região, 57% respondeu "piores" ou "muito piores", revelam os dados da AHP.

A Madeira registou o maior otimismo, com 92% das respostas a serem "melhores" ou "muito melhores" e o Alentejo ficou no extremo oposto, nos 47%. Nas restantes regiões, mais de 50% das unidades hoteleiras que contribuíram para a análise têm uma perceção maioritariamente positiva.

Outono: reservas em baixa, preços a subir

Olhando para os meses de outono, a AHP fez um estudo com uma divisão feita mês a mês. Reservas e preços sinalizados mas não são garantidos, sendo que os dados foram recolhidos até ao dia 11 de outubro.

"Confirma-se que o ciclo do last minute veio para ficar", diz Cristina Siza Vieira. Em causa estão as reservas feitas com escassa antecedência, que já se apresentam como tendência corrente e dificultam este tipo de estimativas.

Ora, para outubro, as reservas "estavam aquém" do período homólogo, com 45% dos inquiridos a apontar para números mais baixos. Em simultâneo, 60% apontavam para uma subida dos preços.

Para novembro, 61% antecipava uma descida das reservas e 54% registava subida dos preços. Tendência semelhante era apontada para dezembro, em que 53% dos inquiridos indicavam descida das reservas e 48% uma subida de preços.

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