

A Couto, fabricante da icónica pasta dentífrica Couto, presta esta sexta-feira, 2 de outubro, uma homenagem a Alberto Gomes da Silva, sobrinho do fundador da empresa centenária, que dedicou boa parte da sua vida ao legado de Alberto Ferreira Couto. O tributo tem lugar no Museu da Farmácia do Porto, na semana em que Gomes da Silva comemoraria 89 anos, e numa altura em que a fabricante prepara o lançamento de novos produtos. As vendas estão também a crescer.
Como explica Alexandra Gomes da Silva, administradora da Couto e viúva do empresário, “será um momento de celebração da vida e do legado do Alberto”. O evento inicia-se com a exibição de um documentário com testemunhos de familiares, amigos, antigos funcionários e jovens apoiados pela Fundação Couto (obra social criada pelo fundador da Couto). São histórias que narram “a infância do Alberto, a sua chegada à Couto e a forma como dedicou grande parte da sua vida à empresa fundada pelo seu tio”, conta.
A homenagem integra também a apresentação de um retrato do empresário, criado a partir de embalagens de produtos emblemáticos da Couto, como a pasta dentífrica homónima e o restaurador Olex, uma obra do artista plástico Pedro Guimarães. O quadro ficará em exposição, até 10 de outubro, no Museu da Farmácia do Porto.
Três anos após a morte do empresário, a Couto continua o seu legado. A empresa, com fábrica em Vila Nova de Gaia, está a “expandir a marca para novas categorias, nomeadamente na área da higiene e cuidado pessoal, com sabonetes, cremes e bálsamos labiais, e também para o lar, com os ambientadores e a vela vegan”, conta Alexandra Gomes da Silva. Segundo revela, a Couto está “a trabalhar no desenvolvimento de novos produtos e temos algumas novidades a caminho”.
O poder da música
A Couto tem atualmente 56 produtos no seu portefólio, que vão desde a emblemática pasta dentífrica (em tempos, designada de medicinal, termo que teve que cair por exigências regulamentares europeias), ao restaurador Olex, ao colutório, vaselina, creme hidratante, creme desodorizante, creme de rosto e champô e barra corporal de marca Couto. No ano passado, lançou no mercado os bálsamos labiais de morango e caramelo.
O icónico dentífrico Couto “continua a ser o nosso produto-estrela e a principal razão pela qual os clientes nos procuram”, diz a empresária, realçando o sucesso do produto ao longo dos anos nas famílias portuguesas. De geração em geração, a relação com a marca mantém-se: “há avós que acompanham a Couto praticamente desde o início e netos que já herdaram essa ligação e esse carinho pela marca”, frisa. No ano passado, foram vendidas 803.272 bisnagas. Foi um exercício histórico. A Couto faturou 1,6 milhões de euros, o que representa um crescimento de 23% face aos 1,3 milhões de vendas registados em 2024. Segundo a empresária, esse tinha sido “o melhor ano de sempre da empresa”. Os portugueses são os principais clientes.
A loja online é uma alavanca para as exportações. “Permite-nos não só chegar a todo o país, mas também levar a Couto além-fronteiras”, diz. Este espaço digital aproxima a marca dos portugueses que vivem fora do Porto, mas também dos consumidores europeus, sobretudo de Espanha, Alemanha e França. Alexandra Gomes da Silva revela ainda que os produtos Couto chegam aos clientes internacionais através de pontos de venda locais, tal como acontece em Portugal. “Temos, por exemplo, uma presença significativa na Alemanha, Itália, Espanha, Polónia e Canadá”, onde os artigos são vendidos em diferentes espaços, desde lojas tradicionais, a barbearias e espaços gourmet.
Já a loja-museu, na portuense Rua de Cedofeita, é visitada quer por consumidores habituais dos produtos Couto quer por turistas. Há “quem inclua a visita no seu roteiro turístico pelo Porto”, destaca a gestora. “Recebemos muitos turistas, sobretudo à procura de uma recordação de Portugal, e é muito gratificante perceber que escolhem os nossos produtos precisamente por serem 100% portugueses e por representarem uma parte da história e da identidade do país”, diz. E há uma nacionalidade que se destaca de forma muito particular: os sul-coreanos.
A história merece ser contada. Segundo narra Alexandra Gomes da Silva, “tudo começou quando a pasta dentífrica Couto apareceu num videoclipe de Suga, um dos membros da banda sul-coreana BTS. A presença do produto despertou a curiosidade dos fãs, que começaram a procurar a marca e a visitar a nossa loja para conhecer a pasta dentífrica Couto e os restantes produtos. Mais tarde, começámos a perceber um fenómeno ainda mais curioso: muitos destes visitantes procuravam especificamente a vaselina Couto. Hoje, todas as semanas recebemos novos clientes sul-coreanos que visitam a loja de propósito para comprar a nossa vaselina”.
A Couto emprega 12 pessoas, entre fábrica, loja-museu e logística.