A construção foi o principal motor da economia portuguesa em 2025, com o Valor Bruto da Produção (VBP) do setor a crescer cerca de 4,1%, acima do crescimento do PIB. O contributo veio sobretudo da engenharia civil e da execução intensiva dos fundos europeus, em particular projetos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), de acordo com a "Conjuntura da Construção - Informação Rápida", divulgada esta quinta-feira, 15, pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN).A engenharia civil liderou a dinâmica setorial, com um acréscimo estimado de 5,5% no VBP em 2025, suportado por um volume excepcional de contratos — 7.186 milhões de euros celebrados até novembro. Esse fluxo de obras criou uma carteira robusta que tende a sustentar a atividade nos próximos trimestres.A habitação também ganhou tração: o VBP dos edifícios residenciais cresceu cerca de 4% em 2025, apoiado numa retoma da procura e num aumento do licenciamento. Até outubro verificou‑se um aumento de 6,3% nas licenças emitidas e de 22,2% nos fogos licenciados para construções novas, sinais de maior pipeline de projetos residenciais.Os edifícios não residenciais foram o segmento mais contido, com crescimento próximo de 1% em 2025, refletindo uma recuperação mais lenta do investimento privado, compensada em parte pelo reforço do investimento público.Para 2026 espera‑se que a construção mantenha o ritmo: prevê‑se um crescimento médio do VBP de 4,4%, superior ao PIB projetado de 2,2%. A engenharia civil deverá continuar a puxar o setor, com uma estimativa de variação entre 4,3% e 6,7%, apoiada pelos concursos públicos lançados no âmbito do PRR e do Portugal 2030 (9.668 milhões de euros até novembro de 2025, +28% homólogo).A habitação deverá consolidar um desempenho sólido em 2026, com variações do VBP entre 3,2% e 5,6%, beneficiando da estabilização das taxas de juro e da procura persistente. No conjunto, o valor da produção da construção poderá subir para cerca de 25.500 milhões de euros, reforçando o papel do setor como vetor de crescimento e execução de investimento público..Custos de construção de habitação nova sobem 4,8% em julho