Contributo do BPI para lucro do CaixaBank reduz-se para 473 milhões em 2025

O grupo espanhol divulgou hoje que teve 5,9 mil milhões de euros em 2025 (mais 1,8% do que em 2024) e Gontázar admitiu que é possível que em 2026 os lucros ascendam a sete mil milhões.
FOTO: Global Imagens
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O Banco BPI contribuiu com 473 milhões de euros para o lucro do grupo Caixabank em 2025, abaixo dos 504 milhões de euros do ano anterior, segundo os resultados divulgados esta sexta-feira, 30, pelo grupo espanhol.

Em conferência de imprensa em Valência (Espanha), o presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, considerou que no BPI estão-se a fazer as "coisas muito bem", estando o banco a "ganhar quota de mercado de forma orgânica" em Portugal.

"[O BPI tem] um desempenho muito satisfatório", afirmou Gortázar.

O grupo espanhol divulgou hoje que teve 5.891 milhões de euros em 2025 (mais 1,8% do que em 2024) e Gontázar admitiu que é possível que em 2026 os lucros ascendam a 7.000 milhões de euros.

Sobre o BPI (que o grupo espanhol controla desde 2017), os dados divulgados hoje indicam que o banco português contribuiu com 473 milhões de euros para os lucros totais do grupo. No ano anterior, o contributo tinha sido de 504 milhões de euros.

O contributo do BPI "não inclui os resultados das participações no BFA [Banco de Fomento de Angola] e no BCI [Banco Comercial de Investimentos, moçambicano]", ressalvou o CaixaBank.

Questionado pela Lusa sobre se ao contributo de 473 milhões de euros se deve somar o resultado da venda de parte da participação do BPI no angolano BFA, o administrador Matthias Bulach disse que a venda se deu ao valor a que estava contabilizada pelo que gerou entrada de dinheiro em caixa mas não teve impacto na conta de resultados.

Em setembro, o BPI vendeu 14,75% no angolano BFA, numa operação em que encaixou cerca de 103 milhões de euros, mantendo agora uma participação de 33,4%.

Em outubro, Gortázar afirmou que o CaixaBank "não planeia qualquer desinvestimento adicional neste momento", embora se trate de uma "participação não estratégica" para o grupo.

Na conferência de imprensa de hoje, a crise da habitação em Espanha foi dos principais temas, tendo Gortázar considerado que é cada vez mais difícil aceder a uma casa em Espanha e pediu medidas para que seja aumentada a construção de casas, designadamente a liberalização do uso do solo, estabilidade das leis e parcerias entre público e privado.

Gortázar foi ainda muito questionado sobre emprego e o impacto que pode ter a tecnologia (designadamente a inteligência artificial) no quadro de pessoal do banco.

O gestor disse que o impacto da inteligência artificial no emprego é das grandes perguntas atualmente em todo o mundo, mas afirmou acreditar que o banco vai aproveitá-la para fazer mais coisas e melhor com o mesmo número de pessoas, pelo que manterá os níveis de emprego.

"No CaixaBank tenho a ideia de que não vai significar redução de emprego", disse o presidente executivo.

Sobre as mobilizações de trabalhadores e greves que se anunciam no banco em Espanha contra a excessiva carga de trabalho - segundo a imprensa espanhola, trabalhadores acusam o banco de ter um modelo de negócio baseado na sobreexigência permanente e de impor objetivos que significam grande stress e deterioração da saúde - Gonzalo Gortázar disse que respeita os sindicatos mas que não considera que as agências tenham falta de trabalhadores e que os inquéritos internos feitos relevam satisfação com o trabalho.

O grupo CaixaBank tinha no total 47.120 trabalhadores em final de 2025. Apenas nas agências em Espanha tinha 30 mil empregados.

 "Não temos falta de pessoas nas agências", afirmou, considerando ainda que trabalhar de forma intensa não tem de ser necessariamente mal visto.

"O trabalho intenso não é mau", contando que no seu dia-a-dia, quando o volume de trabalho é menor, chega a aborrecer-se. Acrescentou ainda que quando há uma boa equipa e bom ambiente o dia de trabalho "até é curto".

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Lucros do CaixaBank crescem 1,8% em 2025 para 5,9 mil milhões de euros

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