A DBRS prevê uma aceleração das fusões e aquisições nas telecomunicações na Europa este ano, bem como parcerias e vendas de ativos, face à concorrência persistente e o lento crescimento orgânico, de acordo com as perspetivas divulgadas esta quinta-feira, 15."Diante da concorrência persistente e do lento crescimento orgânico, esperamos que as operadoras de telecomunicações acelerem as fusões e aquisições, as parcerias e as alienações de ativos em 2026", lê-se na Morningstar DBRS."Antecipamos uma tendência crescente de consolidação nos principais mercados europeus, à medida que as operadoras buscam alívio das guerras de preços e da duplicação de redes", prossegue a agência de notação financeira.Em mercados como França e Itália, "há relatos de discussões em andamento entre empresas estabelecidas e concorrentes para combinar operações ou redes, visando melhorar a rentabilidade. Mesmo onde fusões completas não são viáveis, as operadoras estão a intensificar acordos de partilha de rede, joint-ventures de torres e outros modelos de colaboração para alcançar maior eficiência de custos", acrescenta.Aliás, mesmo em Portugal os operadores históricos têm considerado que uma consolidação será inevitável.Nos últimos anos, "praticamente todas as principais empresas de telecomunicações europeias venderam infraestrutura de torres ou transferiram antenas de telefonia móvel para joint-ventures, libertando capital e reduzindo dívidas", recorda a DBRS.Igualmente, rivais uniram recursos para a implementação do 5G e a implantação de fibra ótica em muitos países, partilhando "o ónus dos altos investimentos de capital".Ora, estas "movimentações estratégicas — seja por meio de consolidação direta ou ganhos de eficiência cooperativos — são cruciais para melhorar a alavancagem operacional num setor que continua sendo intensivo em capital".Relativamente às iniciativas de Soberania Digital e inteligência artificial (IA), a agência de notação financeira refere que "as operadoras de telecomunicações estão a posicionar-se como facilitadoras essenciais das ambições da Europa em relação à nuvem soberana e à IA, aproveitando infraestrutura confiável e, ao mesmo tempo, equilibrando oportunidades de crescimento com riscos de execução e investimento".Quanto às receitas das operadoras, a expectativa é que continuem a apostar na diversificação das fontes."Com o crescimento no 'core' da conectividade limitado, as operadoras estão a expandir seletivamente para serviços digitais e empresariais de maior valor agregado para diversificar as receitas e sustentar a estabilidade dos lucros a médio prazo", refere a DBRS.Também se assiste a um realinhamento estratégico e de estrutura de mercado: "as operadoras de telecomunicações europeias estão a reavaliar a sua presença geográfica e a concentrar-se em mercados principais para lidar com a receita média por cliente (ARPU) estruturalmente baixa, a concorrência fragmentada e a alta intensidade de capital persistente", acrescenta. .Ronda de avaliações ao ‘rating’ de Portugal arranca com DBRS a 16 de janeiro