

O fundador da DeepSeek afirmou esta sexta-feira que a principal desvantagem da China face aos Estados Unidos na inteligência artificial é o acesso limitado a recursos de computação, e não a falta de talento ou de capacidade tecnológica.
Citado pelo jornal Yicai, Liang Wenfeng disse que “a maior diferença entre nós e os Estados Unidos está nos recursos", durante uma reunião com investidores, no âmbito da mais recente ronda de financiamento da DeepSeek.
De acordo com a ata da reunião, Liang considerou que as diferenças em termos de talento, capacidades dos modelos e aplicações resultam da disparidade na capacidade de computação, num contexto marcado pelos controlos às exportações impostos por Washington, que restringem o acesso da China aos chips de IA mais avançados da Nvidia.
A DeepSeek, sediada em Hangzhou, concluiu no final de maio a sua primeira ronda externa de financiamento, superior a 50 mil milhões de yuan (6,5 mil milhões de euros), com investidores como a Tencent, CATL, NetEase, JD.com, IDG Capital e o fundo estatal chinês para a indústria da inteligência artificial, segundo o Yicai.
A empresa ganhou notoriedade internacional no início de 2025 com o modelo DeepSeek-R1, de baixo custo, cuja apresentação foi descrita pelo investidor Marc Andreessen como um "momento Sputnik" para a inteligência artificial.
Segundo a ata citada pelo jornal, a DeepSeek estima estar entre 12 e 18 meses atrás das principais empresas norte-americanas do setor, embora tenha conseguido resultados comparáveis utilizando cerca de um vigésimo da capacidade de computação de que estas dispõem.
Liang afirmou ainda que a empresa pretende reduzir essa diferença para entre três e seis meses, apesar das restrições ao acesso a chips avançados, e revelou que dispõe de recursos equivalentes a cerca de 20 mil processadores gráficos da série H da Nvidia.
Esta família de aceleradores, utilizada em centros de dados para treinar e executar modelos de IA, inclui chips como o H100 e o H200, sujeitos aos controlos de exportação impostos pelos Estados Unidos.
As declarações surgem numa altura em que a indústria chinesa da inteligência artificial procura demonstrar que consegue aproximar-se dos modelos norte-americanos mais avançados, apesar das restrições de Washington à exportação de semicondutores, um dos principais entraves à corrida tecnológica do país.
Este avanço tem sido acompanhado por um aumento das acusações provenientes dos Estados Unidos. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, advertiu recentemente para a possibilidade de sanções caso Washington conclua que empresas chinesas "destilaram" modelos norte-americanos através da utilização não autorizada das suas respostas, enquanto empresas como a Anthropic acusaram rivais chinesas de tentarem replicar as capacidades dos seus sistemas.