

A subida dos custos com a energia condicionou as contas do International Airlines Group (IAG) nos primeiros nove meses do ano. O grupo multinacional, que integra companhias como a Iberia, British Airways, Vueling, Aer Lingus e Level, encerrou o período com um lucro líquido de 2,3 mil milhões de euros, o que representa uma quebra homóloga de 16,2%.
Apesar de a faturação ter progredido 2,3% entre janeiro e setembro, somando 25,8 mil milhões de euros — impulsionada pelo encarecimento médio das tarifas aéreas —, a receita adicional não bastou para absorver o impacto das perturbações operacionais e a subida do preço dos combustíveis. Apenas no terceiro trimestre, os custos de abastecimento das aeronaves dispararam 30,4%.
Perante a volatilidade do mercado petrolífero, o grupo elevou a previsão anual da fatura energética para 8,9 mil milhões de euros, superando o intervalo de 8,3 mil a 8,6 mil milhões de euros estimado na primeira metade do exercício.
Em termos de operação, a taxa média de ocupação das aeronaves registou um ligeiro recuo de 0,6 pontos percentuais, fixando-se nos 88%. Contudo, esta descida foi compensada por um acréscimo de 4,1% nas receitas geradas pelo transporte de passageiros, com destaque para a solidez das rotas de longo curso nas ligações ao Atlântico Norte e Atlântico Sul.
A conjuntura revelou-se mais desafiante nas rotas continentais europeias, devido ao aumento acentuado da oferta por parte da concorrência. Em resposta, a administração do Grupo IAG optou por ajustar a oferta, aplicando uma redução de 1,2% na capacidade — com incidência particular nas operações da Iberia e da Vueling — como medida de salvaguarda da rentabilidade do negócio.
Apesar dos condicionalismos, a equipa de gestão liderada por Luis Gallego mantém perspetivas otimistas para o fecho do ano. O grupo prevê fechar o exercício com uma margem operacional igual ou superior a 12%, suportada pelo programa interno de controlo de custos, depois de ter alcançado uma margem de 13,5% até setembro.
Em paralelo, a IAG deu início à última etapa do seu plano de recompra de ações, no valor de 500 milhões de euros — a tranche final do envelope financeiro global de 1,5 mil milhões, cuja conclusão está prevista até ao final do mês de fevereiro.